Havia olheiras escuras sob os olhos de Jocelino e seu maxilar estava tenso, claramente de quem não dormiu a noite toda.
Aeliana abriu a boca, a garganta seca.
— Água.
Jocelino pegou imediatamente o copo na mesa de cabeceira, apoiou com cuidado a nuca dela e lhe deu alguns goles.
A água umedeceu a garganta, mas a voz de Aeliana ainda estava um pouco rouca.
— Quanto tempo eu dormi?
— Dez horas.
Ontem eles prenderam todo o bando e levaram Aeliana diretamente da periferia para o hospital.
No início, Jocelino pensou que Aeliana tinha apenas adormecido.
Mas quem diria que, ao chegarem no hospital...
Por mais que ele chamasse Aeliana, ela não respondia.
Jocelino levou um susto enorme.
Chamou o médico às pressas.
Jocelino colocou o copo de volta e acariciou o rosto dela com os dedos.
— Como você se sente? Ainda tem algum desconforto?
— O ferimento ainda dói?
Aeliana balançou a cabeça e tentou se erguer para falar com ele, mas Jocelino a pressionou de volta suavemente.
— Não se mexa.
— Seu ferimento acabou de ser enfaixado, não vá abrir os pontos de novo.
O tom dele não admitia contestação, mas os gestos eram extremamente gentis, com medo de machucá-la.
Aeliana olhou para o perfil tenso dele e disse de repente, em voz baixa.
— Jocelino.
— Hum?
— Desculpe.
Ela olhou para ele, o olhar calmo, mas sério.
— Dei um bolo em você ontem.
Embora ser sequestrada não estivesse nos planos de Aeliana, ela sabia que Jocelino dava muita importância àquela festa de comemoração; como ela não apareceu conforme o combinado, ele devia estar muito decepcionado.
A respiração de Jocelino falhou por um instante e a dor surda no peito aumentou.
Ele se inclinou bruscamente e a abraçou com cuidado, apoiando o queixo no topo da cabeça dela, a voz tão baixa que mal se ouvia.
— Nunca mais me dê um susto desses.
Aeliana ficou atônita, sentindo a força dos braços dele.
Aeliana balançou a cabeça, a voz um pouco baixa.
— Não dói.
Ela fez uma pausa, ergueu os olhos para eles com um pedido de desculpas no olhar.
— Sinto muito, ontem... eu faltei ao compromisso.
Heloisa ficou com os olhos marejados e deu tapinhas na mão dela.
— Criança boba, o que está dizendo? O importante é que você está bem.
Ela se virou e abriu a garrafa térmica, e um aroma rico se espalhou instantaneamente.
— Fiz uma canja de galinha bem forte, para recuperar as energias. Você vai tomar um pouco daqui a pouco.
O coração de Aeliana se aqueceu e ela disse baixinho.
— Obrigada, Sra. Porto.
Eduardo bufou alto e bateu a bengala no chão.
— Jocelino, já descobriu quem fez isso?
Jocelino estava de pé ao lado, com a voz fria.
— Pessoal da fronteira.
O olhar de Eduardo ficou afiado.

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