Jocelino não se irritou, recostando-se preguiçosamente na cadeira.
— Tudo bem, eu espero.
Ele chamou o garçom, pediu alguns pratos que Aeliana gostava e acrescentou, de propósito, a sobremesa favorita dela.
À mesa, o clima estava agradável.
Jocelino cortava o bife devagar, lembrando-se do objetivo do encontro de hoje.
Ele olhou para Aeliana e perguntou como quem não quer nada:
— A propósito, na próxima quarta-feira teremos a confraternização de fim de ano do Grupo Barreto. Você quer ir?
Aeliana, que tomava a sopa, parou e olhou para ele.
— Festa de fim de ano?
Quando isso foi decidido?
Ela não tinha ouvido falar nada antes.
— Sim.
O tom de Jocelino era leve, como se fosse um comentário casual.
— É tradição da empresa, fazemos todo final de ano. Meu vovô insistiu para que eu levasse você.
Ele sorriu de canto, sondando a reação dela.
— E então, a senhora teria disponibilidade para nos honrar com sua presença?
Aeliana pousou a colher, a voz calma.
— Vovô Eduardo pediu especificamente para eu ir?
Jocelino assentiu, sem o menor sinal de culpa no rosto.
— Ele reclamou várias vezes que você voltou de Nova Aurora e ainda não foi vê-lo.
Ele fez uma pausa e acrescentou:
— A minha mãe também disse que está com saudades.
Aeliana baixou os olhos, tamborilando os dedos na mesa.
O relacionamento dela com Jocelino já era público, então sua presença era esperada.
Além disso, Eduardo e Heloisa sempre a trataram bem; seria falta de educação não comparecer.
Ela ergueu o olhar.
— Tudo bem.
Jocelino escondeu o sorriso vitorioso nos olhos, mas ergueu uma sobrancelha provocativa.
— Tão fácil assim?
Aeliana o encarou.
— E o que você queria?
Jocelino riu baixo e tocou levemente a taça dele na dela.
Mas, conhecendo Aeliana, ela só aceitaria sem reclamar se fosse em nome de Eduardo.
Apesar dos pequenos contratempos, Aeliana havia concordado com o que ele queria.
Jocelino, de ótimo humor, serviu mais um pedaço de peixe para ela.
— Coma mais, você emagreceu.
Aeliana olhou para o prato, resignada, mas um sorriso imperceptível surgiu em seus lábios.
Quando saíram do restaurante Bossa Lounge, a noite já ia alta.
Jocelino segurava a mão de Aeliana, dedos entrelaçados.
O vento noturno era frio, e Aeliana instintivamente se aproximou dele.
Jocelino olhou para o lado.
— Frio?
Aeliana negou com a cabeça.
— Estou bem.
Mas Jocelino já tirava o paletó para colocar sobre os ombros dela.
— Vista.
Aeliana ajeitou o casaco, sentindo o leve perfume amadeirado que ele sempre usava invadir suas narinas.

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