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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 519

Jocelino não se irritou, recostando-se preguiçosamente na cadeira.

— Tudo bem, eu espero.

Ele chamou o garçom, pediu alguns pratos que Aeliana gostava e acrescentou, de propósito, a sobremesa favorita dela.

À mesa, o clima estava agradável.

Jocelino cortava o bife devagar, lembrando-se do objetivo do encontro de hoje.

Ele olhou para Aeliana e perguntou como quem não quer nada:

— A propósito, na próxima quarta-feira teremos a confraternização de fim de ano do Grupo Barreto. Você quer ir?

Aeliana, que tomava a sopa, parou e olhou para ele.

— Festa de fim de ano?

Quando isso foi decidido?

Ela não tinha ouvido falar nada antes.

— Sim.

O tom de Jocelino era leve, como se fosse um comentário casual.

— É tradição da empresa, fazemos todo final de ano. Meu vovô insistiu para que eu levasse você.

Ele sorriu de canto, sondando a reação dela.

— E então, a senhora teria disponibilidade para nos honrar com sua presença?

Aeliana pousou a colher, a voz calma.

— Vovô Eduardo pediu especificamente para eu ir?

Jocelino assentiu, sem o menor sinal de culpa no rosto.

— Ele reclamou várias vezes que você voltou de Nova Aurora e ainda não foi vê-lo.

Ele fez uma pausa e acrescentou:

— A minha mãe também disse que está com saudades.

Aeliana baixou os olhos, tamborilando os dedos na mesa.

O relacionamento dela com Jocelino já era público, então sua presença era esperada.

Além disso, Eduardo e Heloisa sempre a trataram bem; seria falta de educação não comparecer.

Ela ergueu o olhar.

— Tudo bem.

Jocelino escondeu o sorriso vitorioso nos olhos, mas ergueu uma sobrancelha provocativa.

— Tão fácil assim?

Aeliana o encarou.

— E o que você queria?

Jocelino riu baixo e tocou levemente a taça dele na dela.

Mas, conhecendo Aeliana, ela só aceitaria sem reclamar se fosse em nome de Eduardo.

Apesar dos pequenos contratempos, Aeliana havia concordado com o que ele queria.

Jocelino, de ótimo humor, serviu mais um pedaço de peixe para ela.

— Coma mais, você emagreceu.

Aeliana olhou para o prato, resignada, mas um sorriso imperceptível surgiu em seus lábios.

Quando saíram do restaurante Bossa Lounge, a noite já ia alta.

Jocelino segurava a mão de Aeliana, dedos entrelaçados.

O vento noturno era frio, e Aeliana instintivamente se aproximou dele.

Jocelino olhou para o lado.

— Frio?

Aeliana negou com a cabeça.

— Estou bem.

Mas Jocelino já tirava o paletó para colocar sobre os ombros dela.

— Vista.

Aeliana ajeitou o casaco, sentindo o leve perfume amadeirado que ele sempre usava invadir suas narinas.

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