Quem diria que Aeliana usaria esse truque?
Foi o gesto mais íntimo que ela fizera desde que começaram a namorar.
Jocelino sabia que era uma estratégia, mas acabou cedendo; a postura dele amoleceu na hora.
Aeliana aproveitou o momento.
— Eu preciso ir ao Pico de Itapacá de qualquer jeito, mas se você conseguir me levar pra lá com segurança... eu posso levar você nesta viagem. Assim você fica mais tranquilo, certo?
A respiração de Aeliana roçou a orelha de Jocelino, com um cheiro leve de sabonete.
A garganta de Jocelino oscilou, e seus olhos escureceram.
— ... Aeliana, posso confiar na sua palavra?
Se ela o levasse junto...
Então não seria má ideia.
Naquele momento, Jocelino já começava a planejar os preparativos para o Pico de Itapacá.
Aeliana se afastou um pouco, retomando a expressão fria.
— Pense o que quiser.
Ela já tinha dito o que precisava; se Jocelino não ajudasse, ela daria outro jeito.
Afinal, Victor também estava se movendo.
Jocelino a encarou por alguns segundos, a expressão bem mais suave.
— Feito.
— Vou organizar tudo.
Aeliana ergueu uma sobrancelha.
— Mudou de ideia rápido assim?
Jocelino bufou levemente.
— Já que não consigo te impedir, é melhor vigiar pessoalmente.
No reservado do restaurante, a luz amarela e quente iluminava a toalha branca.
Aeliana bebeu um gole de água e olhou para Jocelino do outro lado da mesa.
— A empresa vai ficar muito ocupada enquanto eu estiver fora?
Depois da tensão no carro, era raro Aeliana puxar assunto.
Jocelino, que folheava o cardápio, ergueu os olhos com um sorriso de canto.
— Olha só, finalmente lembrou de se preocupar comigo?
Aeliana manteve a expressão impassível.
— Se não quiser responder, tudo bem.
Jocelino riu baixo e fechou o cardápio.
Jocelino abriu a caixa, sentindo o aroma suave da madeira invadir o ar.
Ele olhou para ela, com um toque de ciúme no fundo dos olhos.
— E o meu? — Jocelino estreitou os olhos. — Isso é tratamento diferenciado?
Aeliana ergueu o copo d'água, tranquila.
— O que você precisa?
Jocelino inclinou-se para frente, tamborilando os dedos na mesa.
— Que tal... uma gravata escolhida pessoalmente por você?
Aeliana lançou-lhe um olhar.
— Você não tem um armário cheio?
Jocelino riu baixo.
— É diferente.
Ele segurou o pulso dela, o polegar acariciando suavemente onde sentia a pulsação.
— Se for escolhida por você, tem um significado especial.
Aeliana puxou a mão de volta, as pontas das orelhas levemente quentes.
— Fica para a próxima.

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