— Preciso preparar algo para o banquete?
Era a primeira vez que Aeliana participava de uma celebração de grande porte de uma empresa, e ainda por cima como namorada de Jocelino.
Raramente, Aeliana sentiu uma pontada de nervosismo.
Jocelino ergueu uma sobrancelha, apertou a ponta dos dedos dela e falou com preguiça:
— Basta você estar lá.
— O resto... deixa comigo.
Aeliana bufou levemente.
— Não exagere na produção.
Jocelino riu baixo.
— Relaxe, vai ser totalmente dentro no seu estilo "discreto".
Aeliana lançou-lhe um olhar de lado e ficou quieta.
Entraram no carro.
Jocelino dirigia com uma mão, enquanto a outra segurava a de Aeliana.
— Amanhã venho te buscar para provar o vestido.
— Eu posso ir sozinha — disse Aeliana.
— Não — retrucou Jocelino.
Aeliana ficou sem palavras.
Jocelino a olhou de soslaio, cheio de razão.
— Meu avô disse que eu tenho que ficar do seu lado o tempo todo".
Aeliana revirou os olhos.
— Jocelino, você não cansa de ser infantil?
Já era a enésima vez que ele usava Eduardo como escudo naquele dia. Se Eduardo soubesse que estava sendo usado dessa forma, a bengala dele já teria dado uma bengalada nele.
Jocelino, com sua cara de pau habitual, nem piscou.
— Até que não.
...
No dia seguinte.
O Maybach preto de Jocelino estava estacionado silenciosamente na rua.
Assim que Aeliana abriu a porta do prédio, viu Jocelino encostado no carro, esperando por ela como sempre.
O homem vestia um terno preto de corte impecável, com o colarinho da camisa levemente aberto, revelando a linha fria da clavícula.
A luz da manhã iluminava seu perfil anguloso, dando-lhe um ar nobre e indolente.
Ao vê-la sair, Jocelino desencostou do carro, sorrindo.
— Chegou?
— Vamos lá.
Jocelino seguiu o olhar dela e ergueu uma sobrancelha.
— Gostou desse?
Aeliana, sem rodeios, assentiu.
— Sim.
A gerente pegou o vestido imediatamente, com um sorriso lisonjeiro.
— A Srta. Oliveira tem um gosto excelente. Este é uma edição limitada de um designer italiano recém-chegada, só existem três em todo o país.
— Parece que foi feito para o temperamento da Srta. Oliveira.
Jocelino também aprovou e indicou para a gerente levá-la ao provador.
— Vá experimentar.
...
Fora do provador.
Jocelino estava sentado no sofá, pernas cruzadas, tamborilando os dedos no braço do móvel.
No instante em que a cortina se abriu, ele parou.
Aeliana estava diante do espelho. O veludo verde-musgo realçava o tom claro da pele dela, e a corrente de prata na cintura desenhava sua silhueta esguia.
O vestido tinha as costas nuas, revelando suas escápulas delicadas, leves.
O olhar de Jocelino escureceu. Ele se levantou, caminhou até ficar atrás dela e deslizou a ponta dos dedos suavemente pela corrente de prata.

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