— Só estou perguntando.
Jocelino não era tolo.
Conhecendo a personalidade de Aeliana, ele sabia que aquilo nunca era "só por curiosidade".
Se ela perguntou, era porque pretendia ir.
— Esse é o local da sua próxima viagem de trabalho?
— Que tipo de paciente vale a pena para você se arriscar num lugar desses?
A voz de Jocelino esfriou visivelmente.
Aeliana ficou em silêncio por um momento; não podia revelar a Jocelino toda a história sobre Flávia e Wallace.
— Tenho motivos pelos quais preciso ir.
Vendo que a conversa não avançava e que um confronto era iminente, Jocelino girou o volante e encostou o carro suavemente no meio-fio.
Ele se virou para encarar Aeliana, o olhar gelado.
— Não entendo que motivo é esse que não pode me contar.
Na primeira ou segunda vez, Jocelino deixou passar.
Afinal, dado o passado de Aeliana, era normal que ela não confiasse nele logo no início do namoro.
Mas, se ele queria levar a relação adiante com Aeliana...
Essa atitude evasiva dela começava a desagradá-lo.
Os dois se encararam em silêncio por um longo tempo.
Aeliana sustentou o olhar dele, compreendendo a insatisfação de Jocelino.
Ela poderia contar qualquer outra coisa, mas sobre Flávia e Wallace, realmente não sabia por onde começar.
Aeliana permaneceu muda.
Jocelino respirou fundo, sentindo uma rara onda de raiva diante do silêncio dela.
Seus dedos apertaram o volante com força enquanto ele desviava o olhar dela para a estrada à frente.
— Aeliana, você sabe que eu consigo descobrir.
Com os recursos de Jocelino, ele poderia investigar qualquer coisa sobre a vida dela.
Porém, como namorado, ele escolhera respeitá-la e nunca havia feito isso.
Mas se fosse levado ao limite, Jocelino não garantiria manter essa postura.
Ao ouvir isso, Aeliana surpreendentemente não se irritou; ao contrário, soltou uma risada rara.
— Você não faria isso.
Nesse ponto, Aeliana estava confiante.
— Eu sei que você vai respeitar minha decisão, não é?
Jocelino estreitou os olhos.
— Qual é o motivo?
Aeliana desviou o olhar.
— Não posso dizer agora.
O impasse voltou.
Depois de um tempo, Jocelino riu com frieza.
— Tudo bem, não vai falar, né?
Ele ligou o carro novamente, a voz dura.
— Então esqueça aquele lugar.
Aeliana mordeu o lábio.
Ela não podia desistir do Pico de Itapacá.
Mas Jocelino claramente não cederia à força, então ela precisava mudar de tática.
Ela inclinou o corpo levemente, aproximando-se do ouvido de Jocelino, com a voz suave.
— Jocelino...

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