Embora a voz de Aeliana soasse suave, era firme.
Ao sentir a determinação de Aeliana, Victor não encontrou mais palavras para dissuadi-la, apenas suspirou, resignado.
— Você... é teimosa demais.
Ele refletiu por um momento.
Victor pensou em uma solução:
— Vamos fazer o seguinte: tenho um ex-aluno que trabalha uma ONG internacional e está em missão de ajuda humanitária na fronteira. Vou pedir para ele ver o que dá para descobrir por lá.
Aeliana soltou o ar, aliviada.
— Obrigada, Sr. Gomes.
Embora não soubesse se o aluno de Victor tinha informações sobre o Pico de Itapacá, pelo menos havia um fio de esperança.
Victor bufou, fingindo arrogância:
— Não me agradeça antes da hora!
— Assim que tiver notícias, eu aviso. Não aja por impulso, espera eu te dar um retorno.
Com essa personalidade de Aeliana, de querer resolver tudo na hora, Victor tinha receio de que ela partisse sozinha antes de entender o perigo real.
Diante da preocupação dele, Aeliana não teve escolha a não ser concordar.
Ela não era imprudente, mas Victor era um mentor e agia por carinho, então a preocupação dele era válida.
Aeliana desligou o telefone.
Sua mente continuava presa ao Pico de Itapacá.
Nesse momento, Jocelino ligou, avisando que já estava lá embaixo.
Aeliana só então se lembrou de que havia prometido jantar com Jocelino naquela tarde.
O carro de Jocelino estava parado em frente ao prédio de Aeliana.
Ele estacionou com precisão no meio-fio e conferiu o relógio de pulso.
Chegara quinze minutos antes do combinado.
Com o vidro meio aberto, Jocelino descansava uma mão no volante, os olhos fixos na portaria do condomínio.
O vento fresco fazia o colarinho, fazia o colarinho de sua camisa tremular suavemente.
O celular vibrou com uma mensagem de Aeliana: "Já estou descendo."
Os lábios de Jocelino se curvaram. Ele ia responder, mas viu pelo canto do olho a porta do prédio se abrir.
Aeliana saiu vestindo um suéter de tricô bege simples e calça jeans, com o cabelo preso frouxamente, deixando a nuca à mostra.
Ela segurava uma bolsa e caminhava com passos firmes em direção ao carro.
Jocelino desceu, deu a volta e abriu a porta do passageiro para ela.
Jocelino virou o rosto para ela.
— Quão especiais?
— É que...
Aeliana escolhia as palavras com cuidado.
— Áreas que não são abertas ao público.
Jocelino ergueu uma sobrancelha.
— Qual lugar, especificamente?
Aeliana apertou os lábios.
— Pico de Itapacá.
O ar dentro do carro congelou instantaneamente.
Jocelino demorou um tempo para responder, a voz grave.
— O que você vai fazer num lugar desses?
Aquela região de fronteira vivia em constante conflito, uma área de conflito onde até organizações internacionais precisavam de escolta militar para entrar.
Aeliana desviou o olhar, evitando o assunto principal.

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