Os boatos na empresa diziam que sua esposa era filha de um político importante.
E o sucesso inicial de sua empresa não teria sido possível sem o apoio dela.
Quando Evaldo entrou para reportar, ele estava folheando um documento, com uma expressão séria no rosto.
A ponta da caneta pausou levemente sobre o papel, espalhando uma pequena mancha de tinta.
Mário levantou a cabeça devagar, os olhos por trás das lentes douradas se estreitando em uma linha:
— Oh?
Apenas essa palavra fez as costas de Evaldo ficarem instantaneamente encharcadas de suor.
O silêncio no escritório era mortal, apenas o tique-taque do relógio antigo soava.
De repente, Mário riu levemente.
Ele tirou os óculos sem pressa, limpando as lentes com um lenço de seda, com movimentos elegantes como se manuseasse uma obra de arte:
— Jovens, sempre precisam bater a cabeça na parede algumas vezes para aprenderem a voltar atrás.
Evaldo engoliu em seco,
— Mas a Sra. Rabelo...
Ela estava pressionando.
Embora não soubesse os detalhes, Evaldo podia adivinhar pelos rumores da empresa que a Sra. Rabelo estava ligada a um projeto recente da companhia.
Para que o projeto da empresa avançasse sem problemas, Henrique era apenas um brinquedo usado para agradar a Sra. Rabelo.
Henrique agora se recusava.
Mário não estava com raiva?
Ele tinha ouvido dizer que Mário investiu muito dinheiro nesse projeto.
— Sem pressa.
Mário recolocou os óculos calmamente, as lentes refletindo uma luz fria.
— De qualquer forma, vá avisar a Sra. Rabelo.
— O bom vinho precisa respirar, o bom espetáculo precisa de espera.
— O que foi prometido a ela, certamente será dela.
Mário abriu um novo documento, com um tom indiferente.
— E também...
Evaldo engoliu a saliva e explicou apressadamente,
— Sr. Siqueira, não foi isso que quis dizer.
— Eu acho que, afinal, Henrique é uma estrela que nós criamos, ele lucrou muito para a empresa nesses anos...
Assim que ele disse isso.
*Pam!*
A caneta de Mário bateu com força na mesa.
Mário levantou a cabeça, olhando para Evaldo com um olhar frio como gelo.
— Evaldo, você gerenciou o Henrique por apenas quatro anos e já criou sentimentos?
Ele se levantou, contornou a mesa e se aproximou passo a passo.
— A família Martins já deu o aviso, quem ousar usar o Henrique estará indo contra eles!
— A Sra. Rabelo é a última chance dele.
— Nossa empresa já foi benevolente o suficiente com ele; se fosse outra empresa, diante de uma situação dessas, já teriam arrancado a pele dele.

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