— Eu ainda dei uma chance a ele, ele mesmo não quis, culpa de quem?
Evaldo, sob o olhar de Mário, abaixou a cabeça culpado, sem ousar encará-lo.
— Mas...
— Sem mas!
Mário sorriu friamente. Henrique se recusava a cooperar com a empresa e Evaldo ainda queria defendê-lo.
Achava que ele, o chefe da empresa, era fácil de lidar, é?
Ele tinha muitas coisas da empresa para resolver, não tinha tempo para perder com eles.
— Você acha que estou discutindo isso com ele? Eu já disse que estou apontando um caminho para ele sobreviver!
Ele se virou para a janela panorâmica, olhando as luzes da cidade lá embaixo.
— Um bilhão em multa contratual, o suficiente para comprar dez vidas dele.
— Há um atalho e ele não pega, ele insiste em ir para o caminho da morte, então não pode me culpar.
— Afinal, nossa empresa não faz caridade, alguém tem que se responsabilizar pelas confusões que ele causou.
Evaldo ficou parado, o pomo de adão oscilando.
Ele se lembrou da cena de quando conheceu Henrique quatro anos atrás.
Aquele jovem orgulhoso como um pavão, suando na sala de ensaio, com os olhos cheios de ambição.
E agora...
— Evaldo.
Mário se virou de repente.
— É melhor você entender bem a sua posição.
Ele se aproximou e deu tapinhas no ombro de Evaldo, nem leves nem fortes.
— A empresa te cultivou por tantos anos não foi para você bancar o santo.
— Mas...
— Se você realmente não suporta, pode assumir a culpa por ele.
Evaldo baixou os olhos, sem ousar encarar Mário.
— Sr. Siqueira, não precisa dizer mais nada, eu entendi.
— Que bom que entendeu.
Mário sentou-se de volta na cadeira de couro.
Departamento de Relações Públicas, três da manhã.
Todo o andar estava iluminado, o som de digitação nos teclados era incessante.
A diretora de RP, Filipa Rodrigues, encarava a tela do computador, com o olhar cheio de indiferença.
— O material está pronto?
— Tudo posicionado.
O jovem assistente de óculos de aros pretos ajeitou a armação e entregou o tablet com capturas de tela para Filipa.
— Diretora, isso é tudo o que a empresa reuniu ao longo dos anos: históricos de conversas do Henrique se relacionando com cinco garotas ao mesmo tempo, capturas de câmeras de hotéis, e até duas gravações de áudio.
Filipa passou os olhos pelo conteúdo cuidadosamente orquestrado na pasta, garantindo que as evidências fossem suficientes para destruir Henrique aos olhos da empresa, e assentiu satisfeita.
— A linha do tempo foi verificada?
— Conforme suas ordens, escolhemos especificamente o período de folga durante as gravações de "Crônicas da Rosa de Fogo" no ano passado.
O assistente baixou a voz,
— Mesmo que ele queira provar sua inocência, já cuidamos da equipe de produção, ninguém vai testemunhar a favor dele.
Filipa tomou um gole de café, deslizou o dedo pelo trackpad e a tela mostrou mais de vinte caixas de diálogo de contas de marketing.

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