Apenas quando o idoso partiu com sua sacola é que Aeliana se virou para começar a arrumar as coisas em sua mesa. Ao levantar a cabeça, notou o carro familiar do lado de fora da porta e a figura igualmente conhecida dentro dele.
Claramente surpresa, ela parou seus movimentos por um segundo antes de que um sorriso se abrisse em seus olhos. Acelerou o ritmo para terminar de organizar tudo, deu algumas instruções ao seu assistente, tirou o jaleco branco, pegou sua bolsa e caminhou para fora em passos leves.
Ao abrir a porta do carona e se sentar, Aeliana colocava o cinto de segurança enquanto virava o rosto para olhá-lo, os olhos curvados num sorriso cheio de provocação.
— O Sr. Barreto tem tanto tempo livre hoje para vir me buscar pessoalmente no trabalho?
— O sol resolveu nascer no oeste hoje?
O tom de Aeliana era leve e trazia um toque de denguinho.
Mas sua sensibilidade rapidamente captou que algo estava diferente com o estado de espírito de Jocelino.
Embora não demonstrasse muito em sua expressão, a aura ao redor dele parecia mais contida e tensa do que o estado relaxado de sempre.
Aeliana encerrou as brincadeiras e perguntou preocupada:
— O que aconteceu? Algum problema na empresa, ou... aconteceu alguma coisa?
Jocelino não respondeu imediatamente. Lançou-lhe um olhar profundo, como se estivesse tentando cravar a imagem dela em sua própria mente naquele exato momento.
Ele esticou o braço e segurou com firmeza a mão dela, que repousava no próprio colo.
A força de seu aperto não era a mesma de sempre.
Os dedos se entrelaçaram com mais força do que o normal, exalando uma possessividade inquestionável.
— Nada não.
— Certeza?
Aeliana perguntou de forma hesitante.
Jocelino apertou os lábios, decidiu não esconder as coisas e perguntou de uma vez:
— Santiago foi te procurar hoje?
— Santiago?
Aeliana piscou os olhos confusos. Sentindo o calor e a firmeza acima da média vindos da mão dele, deduziu o que poderia ter acontecido e perguntou em tom sondador:
— Como você sabe que ele veio me procurar esta tarde?


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