Ainda mais sendo Jocelino uma das figuras mais influentes da cidade, o que não lhe faltava eram contatos espalhados por todo lado.
No fim da tarde daquele mesmo dia, Jocelino havia acabado de encerrar uma videoconferência e estava massageando as têmporas para relaxar quando seu telefone tocou.
Era de um amigo de infância.
— Ei, Jocelino, ocupado? — a voz do amigo soava levemente zombeteira.
— Acabei de sair de uma reunião, o que foi? — Jocelino foi direto ao ponto.
— Não posso bater um papo com você se não tiver um motivo especial?
O amigo riu, antes de comentar, como quem não quer nada:
— Ah, a propósito, agora à tarde eu estava na casa de chá do meu pai e acho que vi o filho mais velho da família Laginha por lá. O Santiago, sabe de quem estou falando?
— O herdeiro da família Laginha.
— É. — Jocelino respondeu com um som seco, sem entender por que do nada ele estava lhe ligando para falar sobre Santiago.
— Não sei o que aconteceu com ele hoje, mas não estava com uma cara muito boa. Passou um tempão bebendo bule após bule de chá sozinho.
— Ouvi os funcionários comentarem que, antes de ir para lá, ele esteve na Primeira Clínica procurando a Aeliana. Ele ficou lá por um bom tempo, pelo visto.
— Cara, os sentimentos daquele cara pela Aeliana já não são novidade para ninguém no nosso círculo...
— E olha, não vai dizer que seu irmão aqui não te avisou, viu? A Aeliana é maravilhosa, você precisa ficar de olho.
Todos na cidade sabiam que a lendária "árvore de ferro" da família Barreto finalmente havia florescido, e logo pela mão de uma médica dedicada a terapias naturais e ao equilíbrio do corpo.
Aeliana estava com uma fama e tanto agora. Bonita, bondosa e com um conhecimento de saúde impressionante, a fila de pretendentes para ela provavelmente ia da Primeira Clínica até fora dos limites da cidade.

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