Involuntariamente, Jocelino franziu levemente os lábios. Aquele pequeno gesto o fez parecer muito menos inatingível e distante, dando a impressão de um cachorro grande e carente que havia tido seu osso favorito roubado e estava implorando atenção do seu dono com um olhar pidão.
Aeliana sentiu seu coração amolecer instantaneamente ao presenciar aquela expressão rara dele. Quase não conseguiu conter um sorriso, mas, no fundo, o que prevaleceu foi uma onda suave de ternura e comoção.
Ela acariciou a palma da mão dele com os dedos, em um movimento reconfortante.
Jocelino fez uma pausa, como se organizasse as palavras. O olhar dele estava incrivelmente sério e carregava uma expectativa que ela nunca tinha visto antes.
— Aeliana, é só que eu... eu não quero esperar mais.
— Toda vez que penso que pode haver outra pessoa como ele, ou que talvez surjam outros caras que, por não saberem que você é minha, tentem se aproximar e venham te falar essas coisas... me deixa desconfortável.
— Extremamente desconfortável.
— Aeliana, nós falamos sobre preparar o casamento tantas vezes antes, mas no fim sempre atrasava por causa de alguma coisa. Dessa vez eu estou falando muito sério.
— Embora a situação com o Leonardo ainda não esteja cem por cento resolvida, com a pancada que demos nele da última vez, ele não vai conseguir causar grandes estragos a curto prazo. E as agências de segurança e nossos homens na fronteira estão pressionando constantemente. Nossos assuntos não deveriam voltar para a prioridade principal?
— Eu não quero esperar mais.
Jocelino virou a cabeça e a encarou de forma ardente, agindo um pouco infantilmente, para sua surpresa.
— Vamos fazer o casamento logo, está bem?
— Para que todo mundo saiba que você é a senhora Barreto, que você é minha esposa de papel passado e legítima.
— Por favor?
— Eu não consigo mais esperar.


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