— Depois, quando nos reencontramos, vi que você estava bem, com o Jocelino ao seu lado, e eu...
Ele deu um sorriso amargo.
— Eu pensei que seria melhor ficar apenas te observando em silêncio, te vendo feliz. Mas percebi que não consigo.
— Lutei com tanta força, usei todos os meios possíveis para disputar e arrancar tudo. Limpei toda a confusão da minha família e tomei de volta o que era meu por direito... Um dos maiores motivos para isso foi querer ter a confiança e a legitimidade de poder ficar na sua frente e dizer essas palavras.
Ele deu um passo à frente, chegando tão perto que Aeliana podia sentir o frescor amadeirado de cedro exalando de sua pele. O olhar dele continha uma súplica quase devota:
— Aeliana, me dê uma chance, por favor.
— Não me rejeite imediatamente.
— Tente... apenas olhar para mim, pode ser?
Aeliana ficou chocada com aquele discurso e com o sentimento ardente nos olhos dele. Mas rapidamente ela recuperou a lucidez. Em seu coração não havia emoção arrebatadora, apenas uma clareza absoluta e uma leve pontada de resignação.
Ela deu meio passo para trás, estabelecendo uma distância educada e segura, com o olhar ameno, mas inflexível.
— Santiago, sou muito grata pelos seus sentimentos e dou muito valor à amizade que tivemos na infância.
A voz de Aeliana era suave, mas cada palavra saiu com firmeza e nitidez.
— Mas me desculpe.
— Não há como forçar os sentimentos.
— Eu amo muito o Jocelino e ele me ama. Passamos por muitas coisas juntos, temos plena confiança um no outro e sabemos que somos a pessoa com quem passaremos o resto da vida.
— Para mim, você sempre foi um amigo muito importante, apenas isso.
Ela observou a luz sumir rapidamente dos olhos de Santiago e sentiu um pouco de pena, mas precisava continuar:


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