O homem vestia um terno cinza escuro de corte impecável, exalando uma aura nobre e gélida. Os traços de seu perfil eram limpos e marcantes. Ele tinha o rosto ligeiramente erguido, olhando para a velha árvore no pátio, do lado de fora da janela, perdido em pensamentos.
— Santiago Laginha?
— Santiago!
Aeliana chamou, um tanto surpresa.
O homem perto da janela virou-se ao ouvir a voz, e era de fato Santiago.
Apenas um ou dois meses haviam se passado, mas ele parecia ainda mais maduro e contido do que antes. A frieza e o distanciamento habituais pareciam ter se aprofundado entre suas sobrancelhas, mas, ao ver Aeliana, um sorriso gentil floresceu em seus olhos.
— Aeliana, quanto tempo.
Santiago deu um passo à frente. Sua voz era clara e carregava uma emoção indescritível, algo complexo e sutil.
— É você mesmo?
Aeliana o observou, ainda perplexa.
— O que faz por aqui?
— Você está se sentindo mal? Ou... alguém da família Laginha ficou doente?
A última vez que se encontraram havia sido naquele banquete. Santiago já não havia assumido os negócios e passado a trabalhar no Grupo Laginha?
Por que ele apareceria ali de repente?
O primeiro pensamento de Aeliana foi que ele tivesse vindo em busca de tratamento para algum familiar.
Ao ouvir isso, Santiago ficou surpreso por um instante, mas logo riu e balançou a cabeça.
— Aeliana, do que você está falando!
— Por acaso alguém precisa estar doente para que eu venha te ver?
— Nós ainda somos amigos, não somos?
— Não é normal um amigo vir visitar o outro?
Aeliana ficou um pouco sem graça com o comentário, mas a sensação predominante era de que o Santiago de hoje estava diferente.
O jeito como ele a olhava, o tom de voz, tudo parecia se distanciar da dinâmica que sempre tiveram.
Ela não queria enrolar, então foi direta:

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