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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1596

Ter a vantagem do tempo era crucial; cada minuto e cada segundo importavam, quanto mais exatas trinta e seis horas.

O coração de Aeliana afundou. Embora já esperasse por isso, ouvir a confirmação exata ainda a deixou abatida.

Desta vez, a família Saramago claramente tinha jogado pesado, decidida a prender Jocelino de uma vez por todas.

— Eu entendo.

A voz de Aeliana saiu baixa, mas extraordinariamente calma.

Sua mente trabalhava em alta velocidade.

Ficar esperando passivamente por trinta e seis horas, como se nada estivesse acontecendo?

Isso era absolutamente impossível.

Leonardo já havia voltado, e suas suspeitas continuavam de pé. A cada minuto que passava, as variáveis se multiplicavam.

Era imprescindível encontrar uma brecha antes que o adversário assumisse total controle da situação.

A delegacia era território da família Saramago. Tentar um confronto direto pelos meios legais não daria resultado em tão pouco tempo.

Sendo assim... e se tentassem um caminho fora do convencional?

Uma figura e um nome passaram rapidamente pela cabeça de Aeliana.

O chefe da Thelxinoe do Litoral.

Raimundo Barreiros.

A Thelxinoe do Litoral estava enraizada na Vila das Nuvens Cinzentas havia muitos anos. Sua influência era profunda e se estendia por várias áreas obscuras da cidade.

Se a família Saramago conseguia cultivar contatos dentro da delegacia, será que a Thelxinoe do Litoral, com todo o seu peso no submundo da Vila das Nuvens Cinzentas, não teria as próprias conexões?

Raimundo era um homem que valorizava muito a lealdade. Como ela havia salvado a vida da mãe dele, talvez pudesse cobrar esse favor agora.

Mesmo que não fosse possível libertar Jocelino diretamente, se conseguisse usar os contatos da Thelxinoe do Litoral para obter informações mais precisas dentro da delegacia, transmitir alguma mensagem ou até exercer certo tipo de pressão, isso talvez bastasse para quebrar o impasse.

A linha de raciocínio se esclareceu em um instante.

— Alô?

— Sr. Gildo, sou eu.

— Dra. Ana.

Aeliana baixou a voz até quase um sussurro, praticamente colando os lábios ao aparelho.

A ala VIP do hospital estava especialmente silenciosa no meio da noite. No longo corredor, apenas algumas arandelas espalhavam um brilho amarelado.

Na curva da escada de emergência, a iluminação era fraca. Longe dos quartos e do posto de enfermagem, não se ouvia nenhum passo nem murmúrio.

O único som era o zumbido distante dos aparelhos médicos, o que deixava o local com um ar ainda mais sombrio.

Naquele silêncio quase palpável, qualquer ruído seria amplificado.

Do outro lado da linha, Raimundo ouviu Aeliana falar muito mais rápido do que de costume e não pôde deixar de franzir a testa.

Apesar do esforço de Aeliana para se controlar, cada palavra carregava uma tensão fortemente contida, como a corda de um arco esticada até o limite.

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