Amália ergueu as pálpebras pesadas com dificuldade, e a visão embaçada tentou focar.
O que surgiu diante dela foi o rosto de “Telma”, bem de perto, coberto de ansiedade e suor.
Aqueles olhos que normalmente ficavam baixos e pareciam um pouco apagados agora estavam arregalados, cheios de medo e preocupação genuínos, brilhando levemente com lágrimas não derramadas.
Os lábios dela tremiam de leve enquanto massageava a mão de Amália de forma desajeitada, repetindo palavras de consolo meio desconexas.
Os fios de cabelo na testa estavam molhados de suor e grudados à pele.
Era a Telma...
Embora a massagem fosse quase inútil contra a dor dilacerante em seu abdômen, aquela ansiedade e preocupação tão evidentes foram como uma minúscula gota d’água caindo no lago de medo e frieza do coração de Amália, criando uma ondulação extremamente sutil de que nem ela mesma se deu conta.
A dor ainda a atingia como uma avalanche, mas, em meio àquela percepção embaçada, o olhar disperso de Amália se fixou por um instante no rosto desesperado de “Telma”. Um som quase como um choro estrangulado escapou de sua garganta, sem que ficasse claro se ela tentava dizer algo ou se era apenas um gemido de pura dor.
Ao ver isso, o desespero no rosto de Aeliana aumentou. Ela ergueu a cabeça e gritou para Sofia, que estava paralisada ao lado, sem saber o que fazer.
— Não! Assim não vai dar!
— Sofia! A senhorita não está nada bem!
— Acho... acho que pode ser um parto prematuro! Precisamos chamar o médico imediatamente!
Sofia entrou em pânico:
— O quê? Parto prematuro?
Mas ainda faltava um mês para a data prevista do parto de Amália.
— Esquece isso agora!
— O mais urgente é ligar para o diretor do hospital e mandar trazer a equipe para salvar a senhorita!
— Sim! Sim!
— Eu vou ligar!
— Vou ligar agora mesmo!
Os gritos de Aeliana finalmente despertaram Sofia, que rastejou apressadamente até o telefone.
— Comigo aqui, nada de ruim vai acontecer nem com a senhora nem com a criança.
— Siga o ritmo da minha respiração. Isso, continue assim. Aguente firme.
— Pelo bem do bebê, a senhora precisa aguentar firme.
No meio de tanta dor e pânico, ouvir da boca de Telma que “nada de ruim vai acontecer com a criança” foi como agarrar o último pedaço de madeira no meio do naufrágio. Os olhos dispersos de Amália tentaram focar no rosto de Aeliana. Ela assentiu com dificuldade e agarrou com força a manga de Aeliana, como se aquela fosse sua única fonte de apoio.
— Telma... me salva... salva o meu bebê...
— Fique tranquila, eu estou aqui.
Aeliana segurou a mão dela, com o olhar firme.
O som das sirenes da ambulância rasgou o silêncio da madrugada na Vila das Nuvens Cinzentas.
A tranquilidade da propriedade foi completamente destruída. Luzes se acenderam uma após a outra, acompanhadas por passos desordenados, perguntas e vozes apressadas.
O som estridente das sirenes se aproximou cada vez mais até, por fim, frear bruscamente diante do prédio principal da Villa Atlântica.

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