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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1328

Quando a tela do celular acendeu sobre a mesa e ele bateu o olho naquela foto, seu olhar congelou na hora.

O homem da imagem era da Fraternidade das Portas Cinzentas.

O zumbido das vozes, a fumaça de fritura e o barulho dos escapamentos de moto se misturavam, diluindo um pouco a sensação incômoda e pegajosa de estar sendo vigiada pelas costas.

Contudo, Aeliana sabia que as sombras ainda a acompanhavam.

Menos de um minuto após enviar a mensagem, o celular no bolso de Aeliana vibrou quase imperceptivelmente.

Ela fez uma pausa diante de uma barraca de comida de rua, pegou um copo de açaí e, usando a desculpa de perguntar o preço, baixou rapidamente os olhos para a tela.

“Dra. Porto, devem ser homens do Escorpião. É bem provável que isso tenha a ver com a condição da minha mãe. Não tente resolver isso sozinha, eles são perigosos. Fique onde houver movimento e boa iluminação. Não volte para sua casa agora e também não retorne para cá, para não chamar atenção. Pode me passar a rua exata onde você está? Vou mandar meus melhores homens para aí agora mesmo para garantir sua segurança. Mantenha o celular ligado e fique em contato.”

Como ela imaginava. O olhar de Aeliana ficou cortante, e a última gota de dúvida se dissipou. Eram inimigos de Raimundo e, muito provavelmente, os responsáveis por inocular aquela toxina sorrateira na matriarca.

Eles a seguiam com dois possíveis objetivos: arrancar informações sobre o tratamento de recuperação de Cláudia ou simplesmente eliminar Aeliana, aquela variável imprevista.

Rapidamente, ela retomou a frieza. O fato de apenas a observarem, sem atacar, indicava que tinham receio.

Talvez não soubessem do que ela era capaz, ou apenas não quisessem fazer barulho tão perto do território da família Barreiros.

Por fora, ela era a imagem perfeita de uma senhora qualquer curtindo as barraquinhas da noite, andando e parando. Mas sua visão periférica funcionava como um radar de alta precisão, travada naquelas silhuetas dissonantes escondidas no fluxo ralo de pessoas a uns quinze metros de distância.

Com um plano já traçado na cabeça, Aeliana conduziu seus carrapatos por um passeio aparentemente aleatório, ziguezagueando por algumas ruelas interligadas.

Vendo que eles não desgrudavam por nada, ela não perdeu mais tempo. Virou os pés em direção ao polo comercial e à feira gastronômica da região, que havia memorizado antes.

Quanto mais avançava, mais a muralha de sons e luzes explodia como uma onda.

A fumaça das grelhas de churrasquinho, a voz rouca dos músicos de rua, as gargalhadas dos turistas e a multidão espremida formavam um cenário caótico, barulhento e vibrante.

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