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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1327

Ficava evidente que o homem em seu encalço não trabalhava para Raimundo.

Pertencia a outro grupo e provavelmente a estava vigiando desde que ela saíra da mansão.

Com o raciocínio a mil, Aeliana não alterou o ritmo dos passos. Continuou caminhando com uma tranquilidade forjada, como se estivesse completamente alheia à perseguição.

No entanto, sua mente trabalhava a toda velocidade.

Ela não sabia a qual facção eles pertenciam. O fato de a seguirem por tanto tempo sem atacar indicava que não queriam chamar atenção nem espantar a presa.

Mas, com eles em sua cola, seria impossível se livrar do disfarce. Além disso, Jocelino e Wallace Rodrigues ainda a esperavam no hotel.

Se enrolasse mais, a noite avançaria ainda mais.

Aeliana tomou uma decisão rápida. Se eles a haviam rastreado até ali, tinham um objetivo claro. Ela precisava assumir as rédeas da situação, descobrir quem eram e, ao mesmo tempo, isolar o perigo.

De jeito nenhum poderia levar aquele problema para o hotel e arriscar a identidade da Sra. Porto.

Sem vacilar, analisou o entorno. As luzes de uma loja de conveniência 24 horas brilhavam mais à frente, formando um pequeno refúgio iluminado. Havia fluxo de pessoas entrando e saindo, comprando cigarros ou bebidas. Apesar da hora, o lugar tinha movimento.

Era lá mesmo.

Sem quebrar a cadência, ela ajustou a rota com sutileza e caminhou em direção à entrada da loja.

Ao entrar no círculo de luz da conveniência, Aeliana parou, virou-se de costas para a rua e acomodou sua velha maleta de couro no chão, ao lado dos pés.

De soslaio, lançou um olhar discreto para trás.

Na diagonal, o sujeito de jaqueta cinza-escura mantinha os olhos fixos nela.

Quando Aeliana olhou em sua direção, ele rapidamente desviou o olhar, evitando contato visual.

Tinha alguma coisa errada com ela. Caminhava de um jeito arrastado, mas, ao dobrar aquela rua agora há pouco, a mudança de direção foi fluida demais. Fluida de um jeito que não combinava com uma senhora comum.

Ele apertou os olhos e ergueu o queixo de leve em direção ao companheiro, que estava agachado do outro lado da rua, nas sombras, fingindo mexer no celular.

Aeliana, aproveitando que a maleta ocultava seus movimentos, usou o celular para tirar uma foto do homem lá atrás e a enviou para Raimundo.

“Sr. Barreiros, estou sendo seguida desde que deixei sua casa. O homem que parece liderá-los tem um escorpião tatuado no braço, então não deve ser um dos seus. Acha que tem algo a ver com a situação da dona Cláudia?”

Aeliana tocou em enviar. Tudo não levou mais que dez segundos.

Ela deslizou o aparelho de volta para o bolso interno, fechou as fivelas da maleta, ergueu-a e voltou a andar, virando numa rua lateral mais movimentada, onde alguns vendedores ambulantes ainda não haviam recolhido as barracas.

No escritório da família Barreiros, Raimundo acabara de desligar uma ligação vinda do porto, com a expressão sombria.

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