Rodrigo lançou um último olhar para a figura esquelética e pálida sobre a cama, virou-se devagar e saiu do quarto.
A luz branca do corredor era ofuscante, esticando sua sombra solitária pelo chão.
Henrique estava morto.
Havia partido de vez, carregando consigo todos os seus pecados e punições, assim como a última e distorcida glória e miséria da família Oliveira.
Todo o ódio, todo o ressentimento, todo o absurdo e a degradação pareciam ter evaporado no ar com a sua morte.
Restava apenas um silêncio denso e vazio.
O funeral de Henrique ocorreu em uma manhã nublada e sombria.
Uma garoa fina caía sem parar, deixando o clima ainda mais pesado.
O local do enterro foi um cemitério público e isolado, longe do antigo esplendor da família Oliveira.
E bem distante de suas polêmicas.
As pessoas que compareceram para se despedir eram raras; havia apenas Rodrigo e alguns parentes distantes que se sentiram obrigados a aparecer, tornando a cena pateticamente deserta.
Daniela Almeida e Gustavo Oliveira não deram as caras no funeral.
A família Oliveira já havia se tornado a piada de toda a cidade.
Desde as antigas notícias da falência da família e da prisão de Aeliana, até o recente surto psicótico de Felipe Oliveira, a morte trágica e doentia de Henrique e a queda do bando da Jordana... essa sucessão de escândalos já circulava furiosamente pela mídia e pelas redes sociais.
Daniela e Gustavo sabiam muito bem que, se aparecessem no enterro, seriam inevitavelmente o centro das atenções. O que os aguardava não seria compaixão, mas sim inúmeros olhares de curiosidade, desprezo ou escárnio, além de um exército de câmeras e microfones dos jornalistas.
Acostumados a serem bajulados por todos, agora teriam que enfrentar o dedo apontado de uma sociedade inteira. Essa humilhação e julgamento público eram um fardo que suas mentes frágeis e seus egos patéticos não conseguiriam suportar.
Preferiam agir como avestruzes, enfiando a cabeça na areia e se escondendo em casa, aterrorizados demais para encarar a tempestade hostil lá fora.
Rodrigo não se surpreendeu com isso.
O primo soltou um "ah" constrangido e se inclinou um pouco mais:
— E... a Aeliana também não veio?
Só então Rodrigo virou o rosto e o encarou. Foi um olhar calmo, mas que fez o primo recuar instintivamente.
— E por que ela viria? — A voz de Rodrigo soou mais gélida do que a própria chuva. — Que direito a família Oliveira tem de exigir a presença dela?
Embora tivesse dito aquilo, Rodrigo olhou inconscientemente em direção à entrada do cemitério, mas não havia ninguém na névoa fina da chuva.
Ele sabia que Aeliana não viria; já havia percebido isso desde a última vez que ela se recusou a visitá-lo no hospital.
Mesmo ciente daquela realidade, uma certa decepção preencheu inevitavelmente o coração de Rodrigo.
Ainda assim, ele reconhecia que Aeliana não tinha qualquer obrigação. Tudo o que a família Oliveira havia trazido para ela fora dor e manipulação.

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