O fato de ela ter aplicado acupuntura em Henrique já era o limite de sua benevolência, motivada apenas por aquele ínfimo vínculo de sangue e pela consideração do passado.
Agora, com a morte do rapaz, até mesmo esse último pingo de afeto havia se desfeito completamente no ar.
Ele não a culpava; apenas sentia que a família Oliveira não a merecia.
O primo também ficou sem palavras após a resposta de Rodrigo. Pigarreando sem jeito, virou as costas e caminhou apressadamente para o estacionamento, resmungando enquanto se afastava:
— Essa família... é um verdadeiro mau agouro.
O funeral chegou ao fim de maneira precipitada. Os parentes distantes ofereceram condolências simbólicas e partiram às pressas, morrendo de medo de se contaminarem com o azar dos Oliveira.
Rodrigo permaneceu sozinho na chuva, contemplando o nome do irmão na lápide por um longo tempo, antes de fazer uma reverência profunda e dar as costas.
— Henrique... — murmurou ele para a pedra fria. — Nesta vida, todos nós vivemos de maneira errada. Se houver uma próxima... não reencarne mais na família Oliveira.
A figura dele se afastando sob a chuva parecia excepcionalmente solitária.
...
Enquanto isso.
No apartamento de Rodrigo.
Daniela e Gustavo estavam sentados lado a lado no sofá. A televisão estava ligada, transmitindo o noticiário da tarde. De repente, a voz nítida da apresentadora ecoou:
— Segundo informações, a família do ex-presidente do Grupo Oliveira, Gustavo, sofreu mais um duro golpe. Seu filho caçula, Henrique, faleceu nas primeiras horas desta manhã...
— Desliga isso! — Daniela se encolheu com um sobressalto e gritou histericamente.
As mãos de Gustavo tremiam tanto que o controle remoto caiu no chão com um estalo seco.
Curvado, ele tentou pegá-lo, mas perdeu o equilíbrio na cadeira de rodas e desabou de lado no piso.
— Gustavo, você fez isso de propósito?! Tudo isso é culpa sua! Eu nem sequer pude ir ao funeral do Henrique!
Contrariando o que faria normalmente, Daniela não ajudou o marido a se levantar. Em vez disso, esmurrou o sofá, em prantos:
— Aposto que a cidade inteira está rindo de nós agora!
Jogado no chão e ofegante, Gustavo berrou com a voz embargada:
— Quan... quantas pessoas apareceram?
— Quem deveria ir, foi. — Rodrigo tirou o casaco, com o tom de voz tão monótono como se estivesse contando sobre a vida de um estranho. — E quem não deveria, não deu as caras.
Os lábios de Daniela tremiam:
— Ela... a Aeliana...
— Ela não foi. — Rodrigo a interrompeu, lançando um olhar fixo para a mãe. — Você realmente achou que ela apareceria, mãe?
Atingida pela frieza cortante no olhar do filho, Daniela estremeceu e virou o rosto:
— Eu... eu só estava perguntando.
— Daqui para frente, não faça mais esse tipo de pergunta. — Rodrigo se aproximou e abaixou-se para erguer o pai e colocá-lo de volta na cadeira de rodas.
Gustavo agarrou o braço do filho.
— Rodrigo... — Gustavo ergueu o rosto, com saliva escorrendo pelo canto da boca. Seu olhar era turvo, porém desesperado. — A empresa... ainda há chance... de nós...

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