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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1218

A porta foi empurrada suavemente e se fechou com um baque abafado, isolando os ruídos ocasionais do corredor, que pareciam pertencer a outro mundo.

Rodrigo Oliveira abriu a porta e entrou.

Ele parou ao lado da cama, baixando o olhar para aquele rosto tão familiar e, ao mesmo tempo, tão estranho. Aquele rosto que um dia exibiu uma vitalidade radiante e uma fúria obstinada, agora guardava apenas a palidez e o silêncio deixados pela corrosão implacável da doença e dos remédios.

O peso asfixiante que se acumulava em seu peito há tanto tempo transformou-se gradualmente em uma dor surda, espalhando-se do coração até a garganta, tornando sua respiração ofegante.

Era difícil para Rodrigo descrever o que estava sentindo.

Ver alguém do próprio sangue caminhar passo a passo em direção a um fim tão miserável, onde nada mais era o mesmo, fazia com que todas as emoções intensas se assentassem em um silêncio árido e desolador.

Rodrigo sentou-se lentamente na cadeira ao lado da cama, observando a expressão sem vida de Henrique.

Muito tempo depois, ele finalmente abriu a boca.

— Henrique... — Ele chamou o nome do irmão e fez uma longa pausa, sem saber ao certo o que dizer a seguir. — Jordana e o grupo dela foram interceptados hoje de manhã, a caminho do aeroporto. As outras mulheres daquele círculo de madames ricas também foram julgadas e mandadas para a prisão. Viu só? Nenhum daqueles que te prejudicaram conseguiu escapar.

Rodrigo hesitou por um instante. Ele engoliu em seco enquanto ele desviava o olhar do rosto do irmão, fixando-o no chão.

— Henrique, acabou tudo. Você já pode descansar em paz.

O quarto estava assustadoramente silencioso, exceto pelo bipe monótono das máquinas.

Rodrigo continuou sentado ali, imóvel como uma estátua de pedra.

E justo quando pensou que não obteria nenhuma resposta e se preparava para ir embora.

Ele viu uma única lágrima escorrer do canto do olho de Henrique.

A gota salgada traçou um caminho pelas maçãs do rosto afundadas, perdendo-se nos fios de cabelo grisalhos nas têmporas até desaparecer.

Desde que soube que o tempo do irmão estava se esgotando, ele já esperava por esse dia.

Mas, quando o momento finalmente chegou, percebeu que não estava tão triste quanto imaginava; sentia, acima de tudo, uma profunda desorientação.

Ele não chorou aos prantos nem desabou no chão. Apenas sentiu que aquele bolo entalado em seu peito havia sido repentinamente arrancado, deixando para trás um buraco enorme e gelado, por onde o vento sibilava.

Após um breve silêncio de respeito, a equipe médica iniciou os procedimentos finais.

Uma enfermeira se aproximou e, com movimentos experientes, puxou um lençol imaculadamente branco a partir dos pés de Henrique, cobrindo-o lentamente para cima.

O tecido deslizou silenciosamente sobre o corpo dele.

Até, por fim, ocultar delicadamente o seu rosto.

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