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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1217

Houve um silêncio de alguns segundos do outro lado, seguido pela voz calma e inabalável de Aeliana, clara e firme:

— Não.

Uma única palavra. Limpa e direta.

Sem hesitação, sem conflito, sem a menor comoção. Era como se estivesse falando de um completo estranho com o qual não tinha nenhum envolvimento.

Jocelino não se surpreendeu com isso, tampouco tinha a intenção de julgá-la.

— Certo. — Respondeu Jocelino. — Eu entendo.

— Uhum. — Aeliana murmurou suavemente, desligando o telefone em seguida.

Após a ligação, a tela do celular de Aeliana escureceu.

O som da chuva lá fora diminuiu, e um pálido raio de sol começou a despontar por trás das nuvens.

Aeliana estava falando a verdade.

Ela não tinha a menor intenção de ir ao hospital.

Afinal, já havia deixado tudo muito claro da última vez.

Aquela tinha sido a última vez que ajudara a família Oliveira. De agora em diante, os caminhos dela e da família Oliveira se separariam para sempre; não haveria mais laços.

Aeliana caminhou até a janela e ficou parada em silêncio por um momento.

Ela se lembrou de Henrique, o outrora arrogante e cheio de vida segundo filho da família Oliveira. Nunca imaginou que o fim dele seria morrer de uma doença como aquela.

E também pensou na Jordana.

Aquelas pessoas se consideravam superiores, tratando a vida dos outros como insetos insignificantes que podiam ser esmagados à vontade, sem nunca imaginar que um dia acabariam atrás das grades, traídas por todos.

Aquilo que se planta, é o que se colhe.

Os ímpios sempre encontram o seu castigo.

O olhar de Aeliana recaiu sobre a mesa, onde repousava uma antiga agulha de prata, uma herança deixada por Flávia Porto.

A ponta de seus dedos deslizou pelo metal frio.

Quando Flávia a ensinava, costumava dizer que "um médico deve ter compaixão, mas também precisa de pulso firme quando necessário".

Seu caminho estava à frente e o futuro... havia coisas muito mais importantes esperando por ela para serem desvendadas.

O Sr. Porto e Jocelino falavam a verdade, Henrique estava nos seus últimos momentos.

Assim que a Jordana foi presa, não demorou para que fossem até o hospital procurar Henrique, ansiosos para lhe dar a notícia.

A luz lá fora era esmagada pelas nuvens pesadas e baixas, que a devoravam quase por completo. Apenas algumas sombras acinzentadas e sem vida conseguiam se infiltrar pelas frestas das persianas, recortando as paredes brancas e pálidas do quarto do hospital.

O monitor cardíaco emitia um bipe regular e incansável. O som lembrava um metrônomo preciso e implacável, medindo os poucos milímetros de vida que ainda restavam ao homem deitado na cama.

Henrique estava deitado ali, ainda em estado de coma.

Ele afundava silenciosamente nos lençóis brancos e macios, como se afundasse de vez.

Talvez pelo tempo passado na UTI, onde toda a sua nutrição dependia de fluidos intravenosos, Henrique estava assustadoramente magro. A camisola hospitalar pendia frouxa em seu corpo, delineando apenas uma estrutura óssea frágil.

A pele amarelada como cera envolvia firmemente o contorno de seus ossos, manchada por hematomas escuros e escaras difíceis de curar.

A respiração dele era extremamente fraca, e a subida e descida de seu peito eram quase imperceptíveis. Ele parecia uma vela cuja cera havia se esgotado, restando apenas um rastro de fumaça prestes a se dissipar a qualquer instante.

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