“Existem humilhações que machucam. E existem homens capazes de destruir qualquer pessoa que provoque a mulher que eles amam.”
O verdadeiro problema de fazer Dayse Whitmore chorar nunca foi a crueldade da matéria.
Foi esquecer que Edward Fitzgerald jamais perdoava alguém que machucasse aquilo que ele considerava dele.
O departamento jurídico inteiro mergulhou num silêncio quase sufocante no instante em que as portas do elevador se abriram lentamente e o presidente atravessou o andar usando o terno escuro impecavelmente ajustado ao corpo, carregando nos ombros aquela presença absurdamente dominante que sempre parecia alterar completamente a atmosfera do ambiente antes mesmo dele dizer uma única palavra.
Mas daquela vez existia alguma coisa diferente nele.
O olhar estava mais frio, e sua postura estava rígida e perigosamente pessoal.
Os passos masculinos ecoaram lentamente pelo departamento enquanto os olhos azuis percorriam o ambiente inteiro com uma calma fria e controlada que costumava deixar claro, para qualquer pessoa que conhecesse Edward Fitzgerald minimamente bem, que ele já tinha parado de apenas sentir irritação e começado a pensar nas consequências daquela situação.
E aquilo sozinho já foi suficiente para fazer vários funcionários baixarem imediatamente os olhos para os próprios computadores, tentando desesperadamente parecer ocupados demais para terem passado a última hora inteira comentando a vida da noiva do presidente da empresa.
Mas Edward percebeu o silêncio excessivo, os rostos tensos, a maneira desconfortável como algumas pessoas evitavam encará-lo diretamente.
E principalmente percebeu Dayse.
Os olhos dele encontraram os dela em poucos segundos.
E foi exatamente naquele instante que alguma coisa endureceu lentamente dentro dele.
Porque Dayse tentava sustentar a postura, tentava parecer bem e fingir normalidade. Mas Edward Fitzgerald conhecia micro expressões humanas bem demais para não perceber imediatamente os pequenos detalhes que entregavam tudo aquilo que ela estava tentando esconder desesperadamente.
O brilho úmido ainda preso nos olhos, a respiração curta demais, o jeito como os dedos femininos apertavam lentamente a própria bolsa numa tentativa silenciosa de controlar o tremor, a tensão discreta no maxilar.
E principalmente o esforço absurdo que ela fazia para não desabar na frente de todo mundo.
O maxilar masculino endureceu lentamente.
Clara percebeu primeiro e Marina logo depois.
Porque as duas conheciam o tipo de homem que Edward Fitzgerald se tornava quando alguém ultrapassava um limite relacionado à Dayse.
Ele continuou caminhando devagar até parar exatamente diante dela, perto o suficiente para que Dayse sentisse imediatamente a presença dele invadindo todo o espaço ao redor, enquanto os olhos azuis permaneciam presos no rosto feminino observando em silêncio cada detalhe que ela ainda tentava esconder desesperadamente dos outros.
Então a voz masculina finalmente cortou o silêncio do departamento.
— Quem foi?
O jurídico inteiro congelou imediatamente.
A pergunta saiu calma demais.
Mas ninguém ali foi ingênuo o suficiente para não entender o que realmente existia por trás dela.
Dayse piscou devagar tentando recuperar minimamente a respiração.
— Edward… não precisa…
Mas ele a interrompeu sem sequer desviar os olhos dela.
— Eu perguntei quem comentou sobre você.
O silêncio ficou ainda mais pesado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe