“Às vezes o amor começa durante coisas absurdamente normais.”
Edward Fitzgerald passou o trajeto inteiro até a cobertura tentando ignorar a irritação sufocante que ainda permanecia presa dentro do peito depois da discussão com Liliana.
Por mais controlado que fosse, existiam conversas capazes de deixar até homens como ele perigosamente exaustos.
O trânsito noturno de Manhattan avançava lentamente diante do carro enquanto as luzes da cidade atravessavam os vidros escuros em reflexos dourados e frios, mas Edward mal prestava atenção na avenida ou nas notificações que continuavam surgindo sem parar na tela do celular repousado ao lado dele.
A discussão ainda ecoava dentro da cabeça dele.
Liliana chorando, tentando beijá-lo, percebendo finalmente aquilo que ele próprio vinha tentando evitar há semanas.
Dayse.
Seu maxilar voltou a tensionar discretamente.
Porque o pior não era o fato de Liliana ter descoberto tudo.
O pior era perceber que, em algum momento absurdamente perigoso daquela história inteira, ele tinha realmente começado a organizar a própria vida em torno da presença de Dayse Whitmore sem sequer perceber quando aquilo aconteceu.
E aquela constatação irritava Edward mais do que deveria.
Porque homens acostumados a controlar tudo raramente lidavam bem com sentimentos que não conseguiam prever.
Ele soltou o ar lentamente pelo nariz enquanto afrouxava a gravata já cansado demais para continuar pensando naquilo.
Mas então abriu a porta da cobertura e imediatamente percebeu que alguma coisa estava errada.
Muito errada.
O cheiro forte de alguma coisa queimando atravessava o apartamento inteiro enquanto um barulho metálico ecoava vindo da cozinha junto com um palavrão baixo que definitivamente saiu da boca de Dayse.
Edward franziu a testa imediatamente antes de atravessar a sala.
— Dayse?
— NÃO ENTRA AQUI!
A resposta veio rápida e tarde demais.
Edward entrou na cozinha e encontrou o completo caos.
A fumaça subia da panela esquecida no fogão enquanto Dayse tentava desesperadamente abanar o detector de fumaça com um pano de prato, completamente descabelada, usando um short curto preto e uma camiseta enorme da universidade que provavelmente nem era dela.
Por alguns segundos Edward apenas ficou olhando para aquela cena.
Então acabou sorrindo de verdade.
Um sorriso raro, espontâneo e perigosamente leve.
Porque Dayse claramente parecia estar em guerra contra a própria cozinha.
— Meu Deus… — Ele murmurou observando a fumaça. — Você tentou incendiar minha cobertura?
Dayse virou imediatamente o rosto para ele com expressão indignada.
— Eu estava tentando fazer o jantar.
Edward arqueou uma sobrancelha lentamente enquanto desligava o fogão.
— Isso aqui? — Ele apontou para a panela carbonizada. — Porque honestamente parece mais uma tentativa de homicídio.
— Edward!
Ela quase gargalhou nervosa enquanto tentava arrancar a panela do fogão.
— Não ri da minha humilhação.
Mas já era tarde demais.
Porque ele estava rindo.
Baixo, rouco e bonito demais.
E aquilo desarmou Dayse imediatamente.
Edward pegou o pano da mão dela antes de aproximar o rosto da panela.
— O que exatamente você tentou fazer aqui?
Dayse cruzou os braços tentando sustentar alguma dignidade.
— Macarrão.
Ele olhou para a panela outra vez.
Depois olhou para ela.
— Isso definitivamente não é macarrão.
— Você é insuportável.
Edward soltou outra pequena risada antes de abrir alguns armários.
— Sai da frente.

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