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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 80

Branca

Cássio mal conseguia se sustentar em pé.

André ficou de um lado, um dos seguranças do outro, ajudando-o a atravessar a sala com cuidado. Cada passo parecia custar mais do que deveria, e mesmo assim ele não reclamava. O maxilar travado, o olhar fixo em algum ponto invisível à frente, como se reclamar fosse uma concessão que ele se recusava a fazer.

Eu fui atrás, com o coração apertado demais para caber no peito.

Minha mãe observava tudo em silêncio, tensa, os braços cruzados junto ao corpo. O medo nela não era discreto. Era antigo, acumulado, o tipo de medo que reconhece um perigo já vivido.

Quando finalmente o colocaram na cama, Cássio soltou o ar devagar, como se só agora tivesse permitido que o corpo sentisse o peso do que tinha acontecido.

Aproximei-me para ajudá-lo a tirar o blazer rasgado, os dedos cuidadosos demais, como se ele pudesse se quebrar mais se eu errasse o toque. O cheiro de hospital ainda estava nele. Misturado com sangue seco e algo metálico que eu preferia não nomear.

“Vocês precisam ir embora”, Vânia disse, a voz mais dura do que eu esperava. “Isso não é mais seguro. Esse homem está cada vez mais instável. Jonathan não vai parar.”

André passou a mão pelo rosto, respirando fundo.

“Ele quer o quê?”, perguntou, direto. “O que você negou a ele, Cássio?”

O silêncio que veio antes da resposta me gelou.

“A localização do Pedro”, ele respondeu, sem rodeios.

Meu estômago revirou.

“Ele acha que o menino ainda está vivo?”, soltei, sem conseguir esconder o choque.

Cássio virou o rosto na minha direção.

“Acha. Pelo visto acha que você inventou tudo isso.” A voz saiu baixa. “Disse que só se afastaria da minha vida se eu entregasse a criança.”

“André…”, Vânia murmurou, alarmada.

“E você disse o quê?”, meu irmão perguntou.

Cássio me olhou antes de responder.

“Disse que só falaria se ele assinasse o divórcio.”

O mundo parou por um segundo.

Demorei a entender o que aquilo significava. Não só juridicamente. Em tudo.

Ele tinha se colocado no meio de um psicopata… por mim.

A raiva veio antes do medo.

“Você foi burro”, eu disse, sentindo os olhos arderem. “Burro demais. Como pode tentar negociar com ele... Meu Deus ,Cássio... como pode se colocar em risco desse jeito?”

Ele não se defendeu.

“Talvez”, respondeu apenas. “Mas foi o que achei necessário.”

“Necessário?”, retruquei. “Ele não vai assinar nada. Ele não vai parar. Se ele acha que eu o estou enganando com a morte do meu filho...” Minha voz falhou na última palavra. “Ele não vai parar Cássio.”

Ele fechou os olhos por um instante.

“Eu sei”, disse. “Mas eu tenho um plano.”

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