Branca
André estava sentado ao lado da cama, os braços cruzados, o maxilar tenso.
“Você pode ir para a minha casa se quiser”, disse. “Ficar lá até se recuperar. Eu ajudo com a mamãe. O Cássio mesmo disse que ela não está sendo razoável.”
Soltei um riso curto, sem humor.
“Algum dia ela foi?”
Ele suspirou.
“Branca, a gente só está preocupado com você.” Passou a mão pelo rosto. “Olha pra você. De novo num hospital. De novo machucada. E tudo isso porque insiste em ficar na casa do Ravelli.”
O nome dele bateu errado dentro de mim.
“Ele não é nada seu”, André continuou. “E você não é nada dele. Por que insistir tanto nisso?”
Aquilo doeu mais do que eu esperava.
Porque era verdade.
Porque ele não era nada meu… justamente porque eu não deixei. Porque eu não quis. Porque, mesmo com tudo que estava acontecendo, eu ainda achava errado colocá-lo em risco. Não com Jonathan solto. Não com aquele tipo de homem à espreita.
Cássio sabia se virar, mas não merecia passar pelo tormento que passei. Não vale o risco.
Virei o rosto.
“Eu vou ficar mais alguns dias na casa do Ravelli”, falei. “Só o suficiente para a Aelyn entender. Depois eu vou embora.”
André franziu a testa.
"É o melhor. Quando estiver na minha casa, vai ver que estará tão segura quanto lá. Mas não vai ter a preocupação de ficar cuidando da menina, e esperando as inconstâncias do seu chefe."
"Eu não disse que vou para sua casa, André. Eu disse que vou embora." Os olhos dele se arregalaram.
“Embora pra onde?”
“Pra onde eu quiser.” Minha voz saiu firme. “Sem você e sem a mamãe no meu pé. E sem ele. Vou me afastar de todos vocês e desaparecer da vista do Jonathan.”
Ele se aproximou da cama.
“Você não pode se afastar assim sempre que as coisas ficam difíceis”, disse, mais baixo. “Eu tô aqui. A mamãe também. Deixa a gente cuidar de você.”
Levantei a mão, interrompendo.
“Sabe o que diferencia o Cássio de vocês?”, perguntei.
Ele abriu a boca, mas não respondeu.
“Ele não está me obrigando a nada”, continuei. “Ele me dá opções. Ele me deixa escolher. Mesmo do jeito torto dele, ele me deixa livre.”
Meu peito subia e descia rápido.
“Ele não fica me dizendo o que eu tenho ou não tenho que fazer. Ele não me trata como um problema a ser resolvido. Ele pergunta se eu quero ajuda, mas me deixa resolver so meu jeito quando preciso.”
Olhei direto para André.
“Ele me vê como pessoa.”
O silêncio ficou pesado.


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