Cássio
Não sei por quanto tempo andamos, só sei que era longe. Muito longe.
Minha mente tentava captar os ruídos, tentava se manter alerta. Qualquer coisa que ajudasse com a identificação de onde eu estava, caso, por um milagre, eu conseguisse fugir.
Mas não houve nada de diferente. Nada que se destacasse.
O carro parou algum tempo depois.
Sem aviso, nem freada longa. Só o motor desligando e uma mão firme no meu ombro.
“Desce.”
Não me puxaram. Não me algemaram. Nenhuma corda, nenhuma fita. Só o capuz ainda cobrindo minha visão e a certeza de que aquilo não era um erro.
Eles não me queriam como prisioneiro. Era uma conversa, mas nos termos deles.
O chão sob meus pés era sólido, bem cuidado. Nada de terra, nada de brita. O cheiro não era de abandono. Era de jardim molhado, de grama aparada, de dinheiro bem gasto.
Quando tiraram o capuz, eu não me surpreendi.
Uma casa elegante. Impecável. Iluminada demais para alguém que vivia nas sombras. Arquitetura limpa, vidro, madeira nobre, silêncio calculado. E tive certeza de quem era meu captor.
A família Krieger nunca foi discreta.
Eles sempre gostaram de ostentar o próprio poder.
“Por aqui”, disse um dos homens.
Caminhei sem resistência. Não porque estivesse tranquilo, mas porque conhecia aquele tipo de jogo. Jonathan gostava de plateia. Gostava de conduzir.
Entramos em uma sala reservada. Sofás claros, uma mesa de centro, uma iluminação quente demais para uma conversa honesta.
E lá estava ele.
Encostado no bar, um copo na mão, como se estivesse me esperando para um drink casual.
“Eu esperei você me ligar”, disse, sem olhar direto para mim. “Mas você me ignorou.”
Deu um gole lento.
“Então resolvi acelerar as coisas.”
Olhei por cima do ombro. Os homens fecharam a porta atrás de mim.
Sorri de lado.
“Claro”, respondi. “Mas o momento era péssimo para um encontro. Acho que você sabe que sua ex-esposa voltou para o hospital. Estive um pouco ocupado.”
Jonathan inclinou a cabeça, os olhos escurecendo.
“Ela não é minha ex.”
“...Ainda”, corrigi, com calma.
Por um segundo, o ar entre nós ficou denso. Duas vontades colidindo. Dois predadores se medindo.
Então ele sorriu.
Um sorriso torto. Perigoso.
“Agora eu entendi a dinâmica de vocês.” Bebeu mais um gole. “Juro que por um momento eu achei que ela fosse só a babá.”
Me observou com atenção.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz