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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 70

Branca

Me apoiei na parede perto da sala, respirando devagar.

O corpo ainda reclamava. Não era uma dor insuportável, mas constante, como um lembrete insistente de que eu não podia simplesmente fingir que nada tinha acontecido. Precisava de espaço. De ar. De silêncio longe daquele quarto.

Foi quando ouvi a voz dela.

“Tia Branca!”

Virei o rosto a tempo de ver a Aelyn praticamente saltando do tapete.

“Você não pode se levantar!”, ela disse, alarmada. “O médico falou que você tem que repousar!”

Antes mesmo que eu respondesse, senti a presença dele.

Cássio se virou na mesma hora, levantou do sofá e chegou até mim em dois segundos.

“O que você pensa que está fazendo?”, perguntou, sério, mas sem dureza. Os olhos percorreram meu rosto, minha postura. “Você sabe que tem que me chamar quando quiser ir para um lugar. Para de tentar fazer tudo sozinha, sua teimosa. Vou ter que te relembrar de tudo o que o médico disse?”

Suspirei.

“Eu sei o que ele disse”, respondi. “Mas eu precisava sair daquele quarto. Acho que você me entende não é?”

Ele me olhou por alguns segundos.

A tensão no rosto dele diminuiu.

“Tudo bem”, disse por fim. “Mas você não precisava fazer isso sozinha. Eu falei que podia me chamar.”

Antes que eu argumentasse, ele me pegou no colo com cuidado absoluto, como se eu fosse mais frágil do que eu queria admitir. Meu corpo se ajeitou contra o dele automaticamente.

“Cássio…”, murmurei. "Não precisa disso."

“Sem discussão”, respondeu. “Você pode brigar comigo depois, agora eu quero te colocar no sofá.”

Ele me levou até o sofá, puxou a chaise que tinha separado mais cedo, acomodou travesseiros nas costas, nas laterais, ajustando tudo até eu ficar confortável.

“Mesmo assim, podia ter me chamado”, disse, mais baixo agora. “Os pontos podem estourar se você não se cuidar. Você não precisa ser forte o tempo todo, Branca.” seus olhos sustentaram o meu e eu prendi o ar.

Como aquele homem podia ser tão duro e tão delicado ao mesmo tempo. Então ele pareceu perceber o meu debate interno e sorriu de lado, causando borboletas no meu estômago.

Eu ia responder quando senti algo frio no peito.

O estetoscópio.

Aelyn estava ali, concentrada, com a língua levemente para fora, ouvindo meu coração com a seriedade de quem estava salvando uma vida.

“Hum…”, murmurou. “Tá batendo.”

Sorri, tocada pela sua preocupação.

Olhei em volta e só então reparei nos brinquedos espalhados pela sala. Maletinha aberta. Tubos de plástico. Termômetro. Faixas.

“Vejo que temos uma médica particular na casa”, comentei. “Agora toda equipada.”

Os olhos dela brilharam.

“O papai comprou pra mim!” disse orgulhosa. “E olha só!”

70. Minha paz 1

70. Minha paz 2

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