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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 65

Cássio

A casa finalmente estava em paz.

Uma paz reconfortante. Um lar de verdade. Algo que eu sentia falta sem nem mesmo saber que sentia.

Terminei de ajustar as últimas coisas, travesseiros extras no sofá, água na geladeira, remédios separados em cima do balcão e só então me permiti respirar direito.

Elas estavam bem. Aelyn e Branca estavam seguras novamente, e só então eu pude voltar a ser eu mesmo, sem o medo de perdê-las a qualquer momento.

Caminhei até o quarto da Aelyn para ver se estava tudo bem.

E congelei na porta.

Branca estava deitada na cama da minha filha.

De lado, com cuidado evidente por causa da cirurgia, o corpo rígido demais para alguém que deveria estar descansando. Aelyn, sentada ao lado dela, segurava um bloquinho imaginário e falava com uma seriedade absurda.

“Agora respira fundo, tá?”, dizia. “Bem fundo. Isso é importante pra recuperação.”

Levei a mão à boca para não rir alto.

Branca me viu.

E me lançou um olhar que misturava irritação, vergonha e um claro me tira daqui pelo amor de Deus.

Falhei miseravelmente, comecei a rir e minha filha se virou.

"Shhh papai. Eu estou atendendo a paciente e preciso de silêncio." Olhei para Branca com os olhos arregalados.

"Me desculpe, querida."

Ela se virou de novo para a Branca e continuou seu interrogatório, enquanto eu entrava lentamente no quarto e parava ao lado dela

Puxei uma cadeira na frente da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos.

“E então”, perguntei, entrando no jogo. “Essa paciente está colaborando?”

Aelyn assentiu com firmeza.

“Sim, papai. Ela é uma paciente boazinha. Só reclama um pouco, mas é normal, ela está com dor.”

Branca fechou os olhos.

“Eu não reclamo”, murmurou. “Eu só… informo.”

Aelyn ignorou completamente.

“Mas ela não pode levantar”, continuou. “Nem rir. Nem fazer esforço. Nem discutir com o médico. Tem que ficar quietinha, para sarar mais rápido."

Abri um sorriso lento.

“Nossa, ela está tão ruim assim?"

"Não, ela não vai morrer... ela só está dodói." segurei riso.

"E a doutora precisa de alguma coisa para ajudá-la na recuperação?”, perguntei.

Os olhos da minha filha brilharam como se eu tivesse acabado de oferecer o mundo inteiro.

“Preciso!”, respondeu animada. “Eu não tenho nada de médico. Nem o negócio de ouvir o coração. Nem as injeções. Nem nada.”

65. Coisa boa 1

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