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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 59

Branca

Olhei feio pra ele, o coração ainda acelerado demais para alguém recém-saída de uma cirurgia.

"Você falou o quê pras enfermeiras?"

Ele sorriu. Não aquele sorriso social. O outro. O que ele só usava comigo. Relaxado. Seguro. Irritantemente bonito.

"Que sou seu namorado. E que a gente mora junto."

"Você enlouqueceu?!", sussurrei, sentindo o rosto queimar. "Nós não somos nada além de patrão e empregada. Vai lá desmentir isso agora."

Ele riu baixo, claramente se divertindo com a minha indignação.

"Posso ir", respondeu, despreocupado. "Mas só parentes podem ficar aqui. Tem certeza que quer que eu vá embora?"

Fechei os olhos por um segundo.

Quando abri, ele ainda estava ali. Mais perto.

Estreitei os olhos, tentando manter algum controle da situação que claramente já não existia.

"Você é impossível, Juiz. Impossível. Meu irmão vai pirar quando ficar sabendo disso e eu não estou com nenhuma vontade de brigar por você agora."

"Ué mas ele já me questionou na recepção, então entendi que você contou para ele sobre nós." Mordi o lábio.

"Aii como você pode ter caído no jogo dele. Eu não confirmei nada, só falei que eu não ia para a casa dele, que dá minha vida eu cuidava, e que a gente se conhecia antes de eu ir trabalhar pra você. Mas não falei nada sobre a gente ter..." desviei o rosto do dele.

"Bom, agora eu confirmei, e vou confirmar de novo. Não saia por mentirosa." meus olhos se arregalaram.

"Como você é abusado."

"Sou insistente", corrigiu, pegando minha mão de novo, os dedos quentes envolvendo os meus com cuidado. "E quando você voltar pra minha casa… nós vamos conversar sobre isso com calma."

Meu coração deu um salto.

"Sobre o quê?"

Ele se inclinou, a voz baixa, firme, sem espaço para brincadeira agora.

"Sobre eu não querer ser só seu patrão."

Meus lábios se entreabriram antes mesmo de eu perceber.

"Cássio…", comecei, sentindo a garganta apertar. "A gente não pode ser outra coisa."

"Por que não?"

Porque era mais fácil dizer isso do que encarar a possibilidade real.

"Porque eu sou a babá da Aelyn", respondi. "E porque a gente combinou que, assim que ela melhorasse, eu iria embora. Não queremos confundir a cabeça dela."

O sorriso dele desapareceu.

O rosto ficou sério. Concentrado. Perigoso.

"Então nada mudou depois que…", ele parou no meio da frase, os olhos descendo rápido para o curativo sob o lençol, depois voltando para mim. "Depois que quase te perdi?"

Meu peito apertou.

"Não podemos mudar isso, Cássio", falei com esforço. "Você é um juiz. Eu sou uma mulher fugindo do ex-marido. Como exatamente você acha que isso daria certo?"

59. Namorada? 1

59. Namorada? 2

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