Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 358

Felipe

Eu andava de um lado pro outro no quarto como um animal em gaiola.

A imagem não saía. Rangel com as mãos no rosto da minha irmã. Rangel beijando ela como se tivesse todo o direito do mundo. Rangel, meu amigo, o homem que eu conhecia há anos, que tinha jantado na minha mesa, que tinha me ajudado a montar o berço do Pedro, olhando pra Sophia com aquele olhar.

Aelyn fechou a porta atrás de nós e ficou parada, me observando.

Eu nem conseguia ficar quieto.

"Você sabia." Não foi pergunta. Saiu como acusação. "Era sobre ela que você estava falando naquela noite. Era a Sophia."

"Era."

Uma palavra só. Calma. Isso me irritou mais do que se ela tivesse gritado.

"E você não me disse nada?" Eu me virei pra ela, a voz saindo mais alta do que eu queria. "Você ficou sabendo que o Rangel tava dando em cima da minha irmã e não abriu a boca?"

Aelyn cruzou os braços. Não recuou um centímetro.

"Ele não estava dando em cima dela, Felipe. São dois adultos que se aproximaram. Isso tem nome diferente."

"Ela tem dezoito anos. Ele tem vinte e nove."

"E daí? Eu tenho vinte e quatro e você vinte e oito. Mudou alguma coisa de como você se sente sobre mim?"

Eu ri sem humor, passando a mão no cabelo com força.

"Como assim, e daí? Onze anos de diferença não é nada pra você?"

"Não é o que me preocupa, não." Ela deu um passo na minha direção, a voz ainda baixa, mas com uma firmeza que eu conhecia bem, aquela firmeza que significava que ela tinha chegado no limite da paciência. "O que me preocuparia seria ele ser desonesto. Ser frio. Ser do tipo que usa as pessoas. Mas você acabou de ouvir o que ele disse na cozinha. Você olhou pro rosto dele quando ele falou da sua irmã."

Eu desviei o olhar.

"Felipe." Ela esperou até eu olhar de volta. "Você olhou pro rosto dele?"

Silêncio.

Sim. Eu tinha olhado. E tinha visto algo que me deixou ainda mais confuso, porque não era o olhar de homem que está se divertindo. Era o olhar de alguém que tinha encontrado algo que não esperava e não sabia bem como carregar, mas não queria largar.

Eu conhecia esse olhar. Eu tinha tido esse olhar.

Virei as costas, andei até a janela.

"Ela é minha irmã mais nova. É minha responsabilidade..."

"Sua responsabilidade era protegê-la quando ela era criança." A voz de Aelyn cortou limpa. "Ela não é mais. E se você não percebeu isso ainda, o problema não é dela, é seu."

Eu me virei.

"Como assim?"

Ela não baixou o olhar.

"Você ainda enxerga a Sophia de dez anos. A menininha de trancinhas que corria atrás de você pedindo atenção. Mas essa mulher que estava na cozinha agora, de pé, sem tremer, te dizendo que sabe o que quer, você não criou ela, Felipe. Ela se criou. Ela floreceu."

O peito apertou.

"Eu sei que ela cresceu."

"Não sabe." Aelyn foi até a cama, se sentou, me encarou com os braços ainda cruzados. "Se soubesse, você não teria entrado naquela cozinha como se ela fosse incapaz de tomar uma decisão. Você a tratou como se precisasse de tutela. E ela não precisa."

Eu abri a boca, mas nada saiu.

"Você deveria se perguntar por que ela nunca se abriu com você sobre qualquer relação que já teve com alguém. Ou você acha que o Rangel é o primeiro homem que enxerga a Sophia?"

Minha respiração estava errada.

"Eu não quero saber sobre isso."

Aelyn me olhou por um segundo longo. Como quem decide quanto da verdade vai entregar de uma vez.

"Sobre o cara que a Serena falou, ele tinha três namoradas ao mesmo tempo. Sophia era uma delas. Descobriu do pior jeito, pelo grupo de amigas, em público, sem aviso." Ela pausou. "Ela ficou meses se perguntando o que tinha feito de errado. Se era feia demais. Inteligente demais. Séria demais. Ficou meses achando que o problema era ela."

Eu senti o chão ceder levemente.

"Ela nunca me..."

"Por que ela te contaria?" A voz de Aelyn não era cruel. Era pior, era honesta. "Pra quê? Para você sair atrás do cara e criar um problema maior? Ou pra ouvir você dizer que ela era criança e que não tinha que estar pensando nisso agora?" Ela inclinou a cabeça. "Você iria escutá-la ou iria julgá-la?"

O silêncio que se instalou foi pesado demais pra eu fingir que não doía.

Eu me sentei na poltrona do canto do quarto. Cotovelos nos joelhos, cabeça baixa.

"Eu não sabia."

"Eu sei que não sabia. E ela não te contou porque te ama e te conhece. Ela sabia que você ia sofrer por ela, e ela não queria isso." Aelyn soltou o ar. "Sua irmã passa a vida inteira te protegendo de se preocupar com ela. E você nem percebe."

Isso acertou diferente.

Fiquei quieto, deixando pesar.

"E tem mais uma coisa." A voz dela ficou mais séria. "A Manu já foi atrás da Sophia."

Eu ergui a cabeça.

"Como assim?"

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz