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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 351

Sophia

Eu estava um caco de nervoso.

Tinha passado quase uma hora me arrumando, vestidinho preto soltinho na cintura (confortável, mas que valorizava minhas curvas), cabelo escovado brilhando, maquiagem leve com delineado e gloss. Olhei no espelho pela décima vez, o coração disparado. Ele vai me achar infantil? Ou vai ver que eu cresci de verdade? Que sou uma mulher que vale a pena?

A porta do quarto se abriu e minha mãe entrou, Laís, com um sorriso curioso.

"Nossa, que linda! Aonde você vai assim, toda produzida?"

Eu corei na hora, mexendo no cabelo.

"Ah… eu vou sair com o Rangel."

Laís parou, os olhos arregalando.

"Peraí, com quem?"

Ela entrou, fechou a porta atrás de si e cruzou os braços, mas com um sorriso que misturava surpresa e diversão.

"Conta essa história direito, mocinha."

Eu me sentei na cama, as mãos suadas.

"Mãe, você sabe, né? Eu sempre gostei do Rangel. Desde adolescente. A gente se encontrou lá na casa do Felipe e… ele me chamou pra ir no cinema. Eu aceitei."

Laís sentou-se ao meu lado, segurando minhas mãos.

"Ele é mais velho, Sophia. Onze anos. Você sabe que às vezes homens nessa fase só querem curtir, né? Tem que tomar cuidado."

Eu assenti, mas sorri.

"Não, a gente só vai como amigos. Não vai acontecer nada, pode ficar despreocupada. Eu tô tranquila com relação a isso. Ele falou que é só porque ele acha que me deve alguma coisa, me compensar, porque a Manu era muito chata comigo."

Laís deu uma risadinha, apertando minhas mãos.

"Ah, sei. Minha filha é linda, maravilhosa, inteligente. Se ele não viu isso antes, eu tenho certeza que agora ele viu."

Eu ri, abraçando-a.

"Obrigada, mãe. Mas eu to tão nervosa. Você viu ele? Ele tá ainda mais bonito que antes." ela gargalhou.

"Você não contou nada pro seu irmão, né?"

"Não. Acho que ele surtaria."

"Com certeza o Felipe surtaria. Então não conta pra ele. Qualquer coisa, você me liga se precisar, tá?"

"Tá. Tem certeza que eu to bem assim? Não tá demais e nem de menos?"

"Sophi, meu amor, você está perfeita. Ele tem que ser cego de não ver isso."

"Você é minha mãe, não conta." ela riu e me levantei indo até o espelho de novo.

"Se ele tinha alguma dúvida, te garanto que essa noite ela vai acabar."

Ela me deu um abraço apertado e um beijo na testa antes de sair. Eu respirei fundo, peguei a bolsa e desci.

Rangel já estava lá fora, encostado no carro. Assim que saí de casa, ele parou no meio do movimento, os olhos negros se arregalando levemente ao me ver. Por um segundo, ele ficou sem reação, apenas me olhando de cima a baixo, o vestidinho preto, o cabelo escovado, a maquiagem leve. Eu vi o momento exato em que ele engoliu em seco.

"Caralho, Sophia…", murmurou, quase para si mesmo, a voz mais rouca que o normal.

Eu corei violentamente, ficando tímida de repente, mexendo na alça da bolsa sem saber onde colocar as mãos.

"Para… você tá me deixando sem graça."

Ele piscou, como se voltasse à realidade, e sorriu de canto de boca, aquele sorriso torto que sempre me desmontava.

"Desculpa. É que… você tá linda pra caralho hoje."

Ele se aproximou, abriu a porta do carro pra mim com aquele gesto cavalheiro que fazia meu coração bater mais forte.

"Ah, para que tudo isso?" Falei envergonhada pelo gesto.

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