Felipe
O dia tinha começado relativamente calmo. Eu tinha acabado de voltar de uma audiência rápida e estava revisando uns documentos na minha sala quando o e-mail do RH chegou. O título já me deixou alerta: “Notificação Judicial – Processo 047/2026”.
Abri o arquivo. Meu sangue gelou e depois ferveu.
Liana havia aberto uma ação por assédio moral contra mim.
Eu li o documento inteiro duas vezes, o maxilar travado, as mãos apertando a borda da mesa. Ela alegava que eu a tinha “pressionado emocionalmente”, que “criava um ambiente hostil” e que a demissão foi “retaliatória” depois que ela recusou “avanços inadequados”. Tudo mentira. Tudo manipulação pura.
Eu me levantei, andando de um lado para o outro na sala. Como essa mulher tem coragem? Eu sempre a tratei com respeito. Nunca passei dos limites. Nunca dei brecha. E agora ela virava a história contra mim, porque eu não tinha qualquer interesse nela?
“Filha da puta…”
Eu não podia deixar isso chegar perto da Aelyn. Ela já tinha problemas demais. A gravidez exigindo cada vez mais de seu corpo e de sua mente. Liana já tinha ido até a clínica dela para jogar veneno. Se ela soubesse disso, o estresse podia piorar tudo. Eu não ia permitir.
Sentei novamente e comecei a trabalhar. Abri o sistema de segurança do escritório e baixei todas as gravações relevantes: o momento em que Liana me segurou pelo braço na garagem, o dia em que ela entrou na minha sala com a blusa aberta demais, as vezes em que ela se inclinou sobre mim de forma inadequada. Juntei e-mails, mensagens internas, testemunhas. Eu era bom nisso. Muito bom. Em menos de duas horas, eu tinha um dossiê sólido.
Fui até a sala do meu pai.
André estava revisando um processo. Assim que entrei, ele ergueu a sobrancelha.
"Pela sua cara, tem algum problema sério. O que foi?"
Eu coloquei o tablet na mesa dele.
"Liana abriu uma ação por assédio moral contra mim."
Meu pai leu o documento rapidamente. O rosto dele endureceu.
"Essa menina perdeu a noção. Deveríamos tê-la mandado embora assim que ela começou com as gracinhas."
"É. Tentamos tirar o melhor das pessoas, mas elas só querem é tirar proveito da situação."
"O que você já reuniu de provas?
"Peguei essas aqui: Câmeras, gravações, e-mails. Ela não tem caso. Mas eu não quero que isso chegue aos ouvidos da Aelyn. Ela já tem preocupações demais, pai. Qualquer estresse pode complicar ainda mais."
André assentiu, sério.
"Você fez certo. Vou te defender nisso. E vamos comunicar aos nossos contatos que ela é uma pessoa complicada. Ninguém vai contratar alguém que abre processo por assédio moral sem fundamento. Isso acaba com a carreira dela."
Eu concordei. Não queria destruir ninguém, mas também não ia deixar ela ameaçar minha família.

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