Aelyn
O clima na casa estava gostoso e leve. Como uma família de verdade deve ser.
Serena e Sophia ainda estavam no quarto do Pedro, discutindo animadamente quem tinha ideias melhores para o quarto do bebê e prometendo voltar no fim de semana para ajudar com os detalhes e montagem, assim que os móveis chegassem. Rangel conversava com Felipe na sala, os dois rindo de algo do trabalho. Eu observava tudo de canto, o coração cheio.
Quando as meninas finalmente saíram do quarto, ainda rindo, eu me aproximei de Felipe e o abracei por trás, encostando o rosto nas costas dele.
"Quero mais dias assim. Com amigos e família... com todo mundo junto."
Ele se virou, me envolveu nos braços e beijou minha testa.
"Eu também. Mas pra isso vamos precisar de um lugar maior, né?"
Eu neguei com a cabeça, sorrindo.
"Não. Eu adoro esse apartamento. É nosso. E se precisar, a gente vai pra casa dos nossos pais. Tem espaço de sobra lá."
Ele concordou, apertando-me mais contra o peito.
"Tá bom. Se você gosta assim, eu gosto também."
"Bom acho que vou indo. Qualquer coisa, vocês me ligam." Rangel falou.
"Também já vamos. Rangel você pode dar uma carona pra Sophia, é que eu tenho que ir a um lugar, e não vou conseguir deixá-la em casa." Olhei para minha prima, que ficou vermelha como um pimentão.
"Claro, vamos?" Ele a encarou e ela concordou, vindo me abraçar e se despedir.
Quando minha irmã me abraçou, eu sussurrei. "Pestinha." E ela gargalhou.
"Te amo, irmã." Então se abaixou e beijou minha barriga. "Te amo, Pedrinho."
E logo todos saíram e fechei a porta com o coração acelerado, louca para saber o que sairia dali.
Felipe foi para o quarto e eu fui até a cozinha, para terminar de arrumar a bagunça, mas Sophia tinha deixado tudo no lugar. Sorri, tocada com o cuidado dela.
"Sua irmã é perfeita", disse para Felipe, assim que entrei no quarto.
Ele riu, erguendo a cabeça para mim.
"Ela é mesmo. Quando quer."
Fui até ele e me sentei ao seu lado, puxando-o para perto. Ele nos deitou na cama, de atravessados, e pousou sua mão sobre minha barriga, fazendo um carinho lento ali.
"Mas me diz... o Rangel e a Manu terminaram de vez mesmo?" Questionei, como se não quisesse nada.
Felipe ergueu uma sobrancelha, desconfiado.
"Sim. Faz um ano, mais ou menos. Ela não aguentou a pressão de ser namorada de delegado. Os turnos loucos, o assédio, as viagens repentinas... tudo que vem junto. Pelo que eu fiquei sabendo, ela já está com outra pessoa e está bem."
Eu assenti, processando.
"É até estranho. Ela era tão louca por ele."
Ele se virou para mim, os olhos estreitados.
"Até os mais loucos, acabam se afastando quando não se encaixam na loucura."
"Ainda assim, é estranho."
"Por que tantas perguntas sobre o Rangel, hein? Descobriu alguma coisa que eu não sei?"
Eu ri, tentando disfarçar.
"Conheço uma pessoa que é apaixonada por ele há anos. Talvez o momento dela tenha chegado."
Felipe me olhou com mais atenção, curioso.

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