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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 347

Sophia

Eu não conseguia acreditar que estava acontecendo.

Sentada no banco do passageiro do carro do Rangel, com o cinto de segurança cruzado no peito, eu tentava não olhar para ele. Mas era impossível. Cada vez que ele mudava a marcha, o braço dele roçava de leve no meu, e eu sentia um arrepio subir pela espinha. Ele dirigia com uma mão no volante, a outra descansando na coxa, relaxado, como se não soubesse o caos que estava causando dentro de mim.

Eu estava mega animada. Tipo, coração pulando, mãos suadas, mente girando. Mas ao mesmo tempo, extremamente tímida. Travada. Sem saber para onde olhar, o que falar, como respirar direito. Fazia anos que eu não ficava tão perto dele. Anos desde que eu tinha me afastado por causa da Manu.

Rangel pigarreou, quebrando o silêncio que já durava uns dois minutos.

"Então… parece que a garota ficou muda de repente, fiz algo?"

Eu pisquei, tentando não gaguejar.

"Não, claro que não. É só que eu não sei o que dizer." Falei sem jeito e ele sorriu, de uma forma que me deixou ainda mais derretida.

"Então vamos falar de alguma coisa que você goste." ele me olhou quando parou no semáforo. "Você ainda desenha?" e fiquei surpresa por ele ainda se lembrar disso.

"Sim, nossa... não acredito que você se lembra disso."

Ele assentiu, sorrindo de lado.

"Claro que eu lembro, se não me engano você chegou a me dar um. Você sempre foi boa com desenho, né? Eu lembro que você ficava rabiscando tudo quando era mais nova."

Eu corei.

"É… eu gosto de criar coisas. Ver como as estruturas funcionam, como as coisas se encaixam. Acho bonito quando algo que era só um desenho vira realidade."

Ele me olhou de canto de olho, o sorriso crescendo.

"Isso é legal. Tem que escolher algo que te faça feliz. Não adianta correr atrás de dinheiro se você vai odiar acordar todo dia."

Eu concordei, mordendo o lábio. A conversa estava fluindo, mas eu ainda me sentia uma adolescente de 15 anos perto dele. Ele era tão… homem. A voz grossa, o jeito como segurava o volante, o perfume que enchia o carro. Eu tentava não reparar no maxilar quadrado, na barba por fazer, nos olhos negros que pareciam ver demais.

" E você? Como tá sendo ser delegado?", perguntei, tentando desviar o foco de mim.

Ele deu de ombros.

"É corrido. Turnos loucos, muita pressão, mas eu gosto. Sinto que tô fazendo diferença. Às vezes é pesado, mas vale a pena."

Eu assenti, imaginando-o de farda, sério, resolvendo casos. Meu coração deu outro salto.

O silêncio voltou por um momento, mas não era desconfortável. Era carregado. Eu olhava pela janela, mas sentia o olhar dele de vez em quando.

Quando ele parou na frente da minha casa, eu soltei o cinto com as mãos trêmulas.

"Obrigada pela carona."

Ele desligou o carro e se virou para mim.

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