Aelyn
O apartamento estava silencioso quando acordei. Felipe já tinha saído para o escritório, mas deixou um bilhete na mesa da cozinha com um coração desenhado e a frase “Volto cedo pra gente assistir a um filme juntos”. Eu sorri, passando a mão na barriga ainda quase reta, e respondi mentalmente: “O melhor papai e noivo do mundo”.
Tinha tirado o dia para resolver as coisas do quarto do Pedro. O pintor chegaria à tarde para passar o orçamento e as opções de cores. Eu estava ansiosa e feliz, uma mistura que me deixava leve.
Serena e Sophia chegaram por volta das três da tarde, carregando sacolas enormes de guloseimas. Assim que abri a porta, foi uma explosão de energia.
"Chegamos, as titias preferidas!", gritou Serena, me abraçando forte.
"Eu sou a titia preferida!", rebateu Sophia, entrando com duas caixas de doces. "Trouxemos brigadeiro, beijinho, pipoca doce, sorvete e suco natural pra grávida não passar mal."
Eu ri, sendo arrastada para o sofá pelas duas. A mesa da sala rapidamente virou um banquete: potes de brigadeiro, copinhos de beijinho, pacotes de pipoca, potes de sorvete e uma jarra de suco de laranja com hortelã.
"Vocês vieram pra ajudar com o quarto ou pra me fazer engordar?", brinquei.
"Os dois", responderam juntas, rindo.
"Temos que mimar nosso menino desde já, e ele ainda está dentro de você, então... mimaremos você também."
"Então é assim, quando ele nascer, vocês vão me esquecer?" Serena arregalou os olhos.
"Claro que não, irmã. Só estamos dizendo, que o Pedrinho merece toda nossa atenção desde já." Concordei.
"E a mamãe, como está?" Perguntei, já que fazia alguns dias que eu não falava com ela.
"Vive chorando quando pensa na homenagem. Eu e o papai, só a abraçamos. Ela diz que ainda não acredita que você fez isso." Ela me abraça de lado. "Se você não tivesse feito, eu teria. Sempre pensei que, se você não colocasse o nome do seu filho de Pedro, eu colocaria no meu." Meus olhos se encheram de lágrimas.
"Ele é muito importante pra nós." ela confirmou, com olhos brilhando em lágrimas.
"Ah, parem com isso. Vão me fazer chorar." Sophia reclamou, e todas rimos.
Nos sentamos à mesa, comendo e conversando sem parar. Eu não contei nada sobre Liana. Se eu dissesse uma palavra, Serena iria atrás dela para “esfregar a cara dela no asfalto”, como ela mesma diria. Preferi manter o clima leve.
Serena estava dramática como sempre.
"Eu tô quase desistindo de Direito. É muito difícil, muita matéria, muita pressão… Ainda mais sendo estágiária do papai. Quem aguenta?"
Sophia e eu rimos ao mesmo tempo.
"Você diz isso desde o primeiro semestre", provoquei. "Mas quando chega a nota alta, você fica toda orgulhosa."

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