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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 32

Branca

Esperei.

Não sei exatamente o quê, mas esperei.

Talvez uma palavra do Cássio. Talvez um gesto. Talvez uma confirmação de que eu ainda existia ali, depois de tudo o que tinha sido exposto, arrancado, jogado sobre a mesa como provas de um crime que eu nunca quis cometer.

O silêncio pesava.

Então André se intrometeu.

"Irmã, não é hora de pensar no que ele quer." A voz dele saiu firme demais, carregada de medo. "Você tem que sumir. Agora. Se a Clara estiver envolvida com o Jonathan, ele já sabe onde você está."

Engoli em seco.

"Pense em você um pouco", ele continuou. "Pelo menos uma vez."

Mas eu queria a resposta do Cássio.

Não sabia explicar o motivo. Talvez porque, naquele momento, eu não tivesse mais nada. Nenhum plano. Nenhum futuro desenhado. Nenhuma força sobrando. Só a filha dele.

Aelyn.

Ela era a única coisa que ainda me fazia não pensar que minha vida tinha acabado de vez.

Eu não ligava se o Jonathan fosse me encontrar. Não ligava se tudo estivesse desmoronando ao meu redor. Mas ligava para a felicidade dela. Ligava para aquele sorriso cansado tentando ser forte. Para aquela mão pequena segurando a minha como se eu fosse um lugar seguro. Pelos olhos brilhantes quando eu cantava.

Cássio olhou para André. Depois, para mim.

O tempo pareceu desacelerar.

"Quero que fique", ele disse enfim. "Eu assumo a sua segurança."

Meu peito apertou de um jeito estranho. Não de alívio. De impacto.

André bufou na mesma hora.

"Nem pensar." Ele passou a mão pelos cabelos, claramente irritado. "Eu procuro por ela há cinco anos. Você não faz ideia do que eu passei." Ele me encarou rápido, depois voltou o olhar para Cássio. "Eu já vi o Jonathan várias vezes. Até aqui nessa cidade."

Meu estômago revirou.

"E quem me garante", ele continuou, a voz mais baixa, mais perigosa, "que ele não está por trás do assassinato do meu sobrinho?"

Senti o ar faltar, meus olhos se enxeram de água e eu quis ter alguém para segurar a mão.

Cássio se levantou do sofá devagar. Havia algo diferente na postura dele agora. Não era raiva. Era decisão.

"Você resolve a parte jurídica", disse para André, firme. "Dá um jeito de acabar com esse processo." Ele respirou fundo. "Eu resolvo a segurança da sua irmã. Se esse cara aparecer aqui, eu dou um jeito." ele sorriu de lado, de um jeito cruel.

André estreitou os olhos.

"Eu não estou gostando disso." A voz saiu tensa. "Não acho que..."

32. Para onde eu vou 1

32. Para onde eu vou 2

32. Para onde eu vou 3

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