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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 31

Cássio

Eu ainda estava tentando entender quando aquela sala deixou de ser meu escritório e virou um campo minado.

Eram tantas revelações que eu nem sabia se aquele espaço ainda era meu.

Tudo tinha explodido rápido demais para eu conseguir reagir do jeito certo.

Cruzei os braços, sentindo a mandíbula travar. Não sabia se estava mais irritado por ela ter mentido para mim ou se não tinha o direito de estar irritado, considerando o tamanho do inferno que claramente tinha atravessado sozinha.

"Linda reunião familiar", falei, a voz saindo mais dura do que eu pretendia. "Mas acho que agora eu preciso de mais respostas do que no começo."

Branca e André se afastaram um pouco, como se tivessem sido puxados de volta à realidade pelo som da minha voz. Observei o movimento com atenção demais. Fechei as mãos ao lado do corpo, contendo uma vontade absurda de puxá-la para mim.

"Que idiota eu estava me tornando." Me repreendi mentalmente. Aquela não era a hora. Talvez nunca tivesse sido.

Branca respirou fundo, como se estivesse juntando forças.

"Eu fui casada com um homem abusivo", disse, sem me encarar de imediato. "Eu e o André somos irmãos só por parte de mãe."

André assentiu, sério.

"O meu pai morreu quando eu ainda era jovem", ele continuou. "Nossa mãe se casou de novo. Com o pai da Branca."

O ar na sala ficou pesado.

"Ele não era quem ela pensava", Branca completou, a voz firme demais para alguém que claramente estava exausta. "Quando tentou se separar, ele ficou com a minha guarda. E praticamente me vendeu para um primo."

Senti algo frio atravessar meu peito.

André respirou fundo antes de continuar.

"Não preciso explicar por que escolhi o direito, nem por que me especializei em direito de família. Mas infelizmente… não deu tempo." Ele passou a mão pelo rosto. "Depois que ela se casou, ficou ainda mais difícil vê-la."

Branca permanecia imóvel, como se cada palavra revivesse algo dentre dela. Algo que ela lutou muito para esquecer.

"Até que um dia", André continuou, a voz mais baixa, "o digníssimo marido dela invadiu a nossa casa. Armado. Com homens. Mandando a gente devolvê-la."

Meu estômago revirou.

"Eu e minha mãe ficamos em choque", ele disse. "A gente não sabia onde a Branca estava. Ele revirou tudo, ameaçou, disse que quando a encontrasse… não ia sobrar nada. Nem dela, nem do menino. Não sei se fez isso para nos apavorar, e contarmos onde ela estava, ou pela loucura que vivia em sua cabeça. Mas não deu certo, Branca não tinha nos procurado."

O silêncio que se seguiu foi pesado.

"Desde então", André continuou, "eu procuro pela Branca e pelo meu sobrinho às escondidas. Sem levantar suspeitas. Porque sei que o Jonathan está esperando em cada esquina."

31. Revelações 1

31. Revelações 2

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