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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 303

Felipe

Desligar o celular dela tinha sido a melhor decisão da noite. Possivelmente da minha vida inteira até ali.

Caminhávamos pelo jardim iluminado, com a mão dela dentro da minha. Aelyn não tentou soltá-la nenhuma vez desde que saímos da mesa. Nem uma única vez. E aquele pequeno detalhe fazia meu coração bater tão forte que eu mal registrava as palavras do guia sobre ervas aromáticas e plantas medicinais.

O caminho de pedras serpenteava entre canteiros elevados e arcos de bambu cobertos de trepadeiras floridas. A cada curva, o jardim se revelava como um segredo: uma estufa pequena com orquídeas pálidas, um recanto com mesas baixas e almofadas, uma fonte que murmurava água cristalina. O ar estava perfumado com jasmim, terra úmida e algo doce que eu não conseguia identificar. Cada inspiração parecia me aproximar mais dela.

Ela estava adorando. Eu via nos olhinhos brilhantes, nos sussurros empolgados que escapavam quando algo chamava sua atenção, no jeito leve como puxava minha mão para me mostrar uma flor ou uma luz refletida na água. Era tão ela. Tão viva. Eu tinha ficado sem isso por tempo demais.

Descíamos um pequeno desnível quando aconteceu. O pé dela escorregou levemente. Um tropeço pequeno, quase imperceptível, mas o suficiente para desequilibrá-la. Soltei sua mão e segurei sua cintura no mesmo instante, num reflexo que veio antes de qualquer pensamento.

Nossos corpos ficaram próximos. Perigosamente próximos.

O guia continuou andando alguns passos à frente, mas nós paramos. Rostos a poucos centímetros um do outro. A luz suave das luminárias embutidas no chão iluminava o rosto dela de baixo, destacando os cílios longos, o rubor sutil nas bochechas e aquela mecha solta do coque que caía perto do olho.

Eu podia sentir o calor da pele dela através do tecido fino do vestido. O cheiro dela, shampoo, perfume e algo que era só Aelyn, me invadia. Ela mordeu o lábio inferior, aquele gesto pequeno que eu conhecia de cor e que, naquela noite, ganhou um significado completamente novo.

"Obrigada", murmurou, a voz baixa e um pouco rouca.

"De nada."

Não tirei a mão da cintura dela de imediato. Não consegui. Meu polegar fez um carinho inconsciente na curva da sua lombar. Ficamos ali, suspensos, até que o mundo voltou a girar e seguimos em frente.

Não soltei sua mão de novo. Não queria. Era como se, depois de quatro anos segurando tudo dentro de mim, eu finalmente tivesse permissão para tocar no que sempre foi meu.

O guia falava sobre a horta orgânica e fornecedores locais, mas eu só conseguia pensar no calor da palma dela contra a minha, no jeito como nossos passos tinham encontrado o mesmo ritmo, na certeza crescente de que eu não queria que aquela noite terminasse.

Paramos numa clareira onde as plantas formavam um arco natural perfeito. Luzes suaves subiam do chão, criando um clima quase mágico. O guia sorriu, já acostumado com o efeito que aquele lugar causava.

"Para quem quiser registrar o momento, esse é o ponto mais bonito do jardim."

Olhei para Aelyn. Ela olhou para mim. Havia algo diferente no ar entre nós.

"Quer?", perguntei.

Ela assentiu, com um sorriso tímido que não cabia inteiro no rosto.

Entreguei o celular ao guia e me posicionei atrás dela. Minhas mãos encontraram naturalmente a cintura dela. Ela encostou as costas levemente no meu peito, e eu senti cada músculo do meu corpo reagir. O guia ergueu o celular. Ela olhava para o jardim iluminado. Eu olhava apenas para ela, o pescoço exposto, a corrente que eu tinha dado anos atrás brilhando contra a pele, a respiração suave que fazia seu ombro subir e descer.

303. [Segunda Fase] - Finalmente minha 1

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