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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 299

Aelyn

Fiquei olhando para o número dele na tela por aproximadamente três minutos.

Não era exagero, eu tinha olhado para o relógio antes de pegar o celular e olhei de novo quando finalmente pressionei ligar, e eram exatamente três minutos e quarenta e dois segundos de ficar segurando o aparelho como se ele fosse explodir.

Parece um exagero, não é? Mas pra mim, parecia que eu estava falando pela primeira vez com ele, que eu estava encontrando o homem que eu idealizei por tanto tempo. Era ridículo, mas ao mesmo tempo, meu coração parecia que ia sair de dentro do meu peito.

Mal chamou uma vez e eu já estava pronta para desistir e desligar. Fingir que ele não atendeu e seguir, até criar coragem novamente.

"Aelyn."

Só o meu nome. Dito daquele jeito, não surpresa, não frieza, só o meu nome com aquela voz que eu conhecia de cor e que hoje estava fazendo algo completamente diferente com o meu coração.

"Oi." Saiu pequeno. Claro que saiu pequeno. "Eu... eu recebi as flores." ele parecia estar controlando a respiração do outro lado da linha também.

"Gostou?"

"São lindas." sorri olhando para o arranjo novamente. "Você sabe que as tulipas são as minhas flores favoritas."

"É, eu sei..."

Claro que sabia.

Aquilo ficou no ar por um momento, e eu percebi que os dois estávamos com aquela coisa específica de depois de briga, aquele espaço entre o que foi dito e o que vem agora, onde nenhum dos dois sabe bem como atravessar sem pisar em algo.

"Sobre ontem", eu comecei.

"Eu queria...", ele disse, ao mesmo tempo.

Paramos os dois.

"Pode falar", ele disse.

"Não, pode falar você."

"Damas primeiro."

Eu ri, pequeno, involuntário, daquele tipo que escapa quando você estava tensa e algo alivia sem avisar.

Ele ficou quieto um segundo, e eu soube que ele estava sorrindo.

"Sobre ontem", eu recomecei, mais firme agora. "Eu disse coisas que... algumas coisas eu não precisava ter dito daquele jeito. Eu ... não sei ... parece que algo mudou entre nós e eu não gosto disso."

"Você só disse a verdade."

"Sim, mas o jeito..."

"Aelyn." A voz dele chegou com aquela calma que eu às vezes amava e às vezes queria sacudir. "Você disse a verdade. Eu precisava ouvir." Ele suspirou e ouvi o movimento como se ele estivesse se levantando. "Eu também disse coisas que não devia ter dito do jeito que disse."

"Nós dois erramos..." falei alisando a folha de uma das flores. "Mas você sabe o quanto é importante pra mim. Não quero que fique um clima chato entre nós."

"Não vai ficar. Eu ... eu só perdi a cabeça, prometo que não vai acontecer de novo."

"Não sei por que, mas não acredito nisso." Ele deu risada do outro lado e eu senti meu coração disparar.

"Sobre o beijo..." mordi o lábio antes de responder.

"Você beijou uma pessoa sem avisar."

"É eu...eu não me arrependo." ele soltou o ar. "Mas ainda assim, me desculpa."

Outro silêncio.

Mas diferente do primeiro, esse era mais leve, daquele tipo que acontece quando dois lados de uma conversa chegam a um lugar parecido ao mesmo tempo.

"Sobre o jantar...", eu disse, mudando o assunto. Não queria criar um novo constrangimento entre nós, porque eu não queria que ele pensasse muito sobre o beijo. Eu queria que acontecesse de novo, e se ele criasse um bloqueio... não.. quatro anos de espera já eram o suficiente. "Eu aceito."

Ele não respondeu de imediato.

Aquele silêncio de meio segundo que eu sabia que era ele processando, calibrando, aquele Felipe que pensava antes de falar mesmo quando estava feliz.

"Hoje à noite?", ele perguntou.

"Hoje à noite." Respirei. "Mas eu não posso demorar muito."

"Por quê? Tem outro compromisso?"

299. [Segunda fase] - Telefonema 1

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