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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 27

Branca Oliveira

O mundo perdeu o eixo.

Não sei dizer se foi o chão que se afastou de mim ou se fui eu que me desprendi dele, mas, de repente, tudo ficou longe demais. A voz da Lais continuava no meu ouvido, mas eu já não conseguia acompanhá-la direito.

Os braços de Cássio me puxaram com firmeza para perto do peito dele, impedindo que eu caísse. O gesto foi rápido, instintivo. Forte demais para ser apenas gentileza.

“O quê…?” murmurei no telefone, a palavra escapando sem força.

“Branca, é algo muito sério”, Lais insistiu, agora com a voz mais baixa, mais cuidadosa. “Parece que você está sendo investigada pela doação dos órgãos do Pedro. Eu não entendi tudo ainda… mas fala em irregularidade, em responsabilidade direta. Eu acho melhor você procurar um advogado. Eu… eu não sei.”

Minha respiração saiu em pequenos solavancos.

“Vou te mandar foto dos papéis”, ela continuou. “E, se você quiser, me passa o endereço de onde está trabalhando. Eu vou até aí. Fico com você.”

Antes que eu conseguisse responder, uma voz fininha atravessou o ar, como se viesse de outro mundo.

“Tia Branca… você tá bem?”

Aelyn.

Eu tentei olhar para ela, mas minha visão estava turva demais. O corpo tremia sem que eu conseguisse controlar, e tudo que me mantinha em pé eram os braços de Cássio, firmes ao redor de mim, sustentando meu peso como se ele soubesse exatamente o que estava acontecendo.

Como se ele soubesse antes de mim.

“Lais”, consegui dizer, engolindo em seco. “Me manda as fotos. Eu vou ler tudo com calma… e te ligo depois.”

“Branca...”

“Me manda as fotos”, repeti, com um fio de voz.

Desliguei antes que ela dissesse mais alguma coisa.

O silêncio que se seguiu foi devastador.

Minhas mãos tremiam tanto que mal consegui abaixar o celular. O corpo não obedecia. O medo era físico, pesado, alojado no peito como uma pedra.

Cássio me guiou até a cama com cuidado e me ajudou a sentar. Assim que percebeu que eu estava apoiada, se ajoelhou à minha frente, ficando na altura dos meus olhos.

Só então falou com a filha.

“Querida, tem um copo de água aí perto?”

Aelyn assentiu rápido e estendeu o próprio copo para ele, subindo ainda mais na cama, inclinada na minha direção, os olhinhos atentos demais para alguém tão pequena.

“Tia… você tá muito pálida”, disse, preocupada. “Você vai desmaiar?”

Neguei com a cabeça, tensa, incapaz de formular uma frase inteira.

Cássio levou o copo até minha mão.

27. O coração 1

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