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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 252

Branca

O Cássio não precisou insistir muito.

Quando ele colocou a mão nas minhas costas e disse baixinho que era hora de ir, que eu tinha feito o que precisava fazer e que a Serena não precisava de mais emoção por hoje, eu deixei. Não porque estava fraca, mas porque ele estava certo, e eu sabia disso.

"Você precisa descansar, amor." olhei para ele, que estava mais cansado do que eu por passar a madrugada toda trabalhando.

"Você também."

Saímos da delegacia com aquele silêncio de quem carrega coisa demais para colocar em palavra ainda. O sol lá fora parecia fora de lugar, brilhante demais para um dia assim, e eu fiquei olhando para a rua pelo vidro do carro sem realmente ver nada.

Passei a mão sobre minha barriga, pensando que eu precisava cuidar da minha pequena, que ela era um presente do Pedro para mim, como dizia Aelyn.

Que ele tinha mandado uma irmãzinha, porque sabia que nossa família precisava. E a partir de agora eu iria seguir minha vida, uma vez que os loucos tinham sido presos.

A casa estava quieta quando chegamos, mas de um jeito diferente do normal, aquele silêncio tenso de quem está contendo alguma coisa. Entrei primeiro, e foi quando ouvi.

A voz da minha mãe.

Baixa, entrecortada, vinda da sala.

Entrei e os vi, a Laís de um lado, o André do outro, os dois com as mãos na Vânia que estava sentada no sofá com aquele choro contido de quem tentou segurar e não conseguiu mais.

Ela me viu antes que eu dissesse qualquer coisa.

Se levantou de um movimento só e veio até mim, e quando os braços dela me envolveram, eu senti tudo que estava represado desde a delegacia subir de uma vez.

"Eu disse." A voz dela saiu embargada, quente perto do meu ouvido. "Eu disse que aquela mulher era um demônio. Nunca confiei nela, nunca, desde o primeiro dia que a vi. Desde criança tinha algo diferente nela."

Eu me agarrei nela.

E chorei.

Chorei de um jeito que não tinha conseguido na delegacia, que não tinha conseguido no carro, aquele choro que não tem contenção e não pede licença. A Laís veio perto, e o André, e em algum momento éramos todos nós no meio da sala segurando uns aos outros enquanto a casa absorvia tudo aquilo.

Quando o choro foi diminuindo, quando a respiração foi voltando, o Cássio falou.

"O que importa agora é que os dois estão presos." A voz estava firme, ancorando. "Acabou. Eles vão responder pelo que fizeram e se depender de mim, não vão sair nunca mais."

O André levantou o olhar.

252. Acabou 1

252. Acabou 2

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