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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 231

Branca

A casa vai ficando mais silenciosa aos poucos, como se o dia inteiro estivesse desacelerando junto com a gente. Quando minha mãe sobe com a Aelyn para o quarto, fico alguns segundos parada na cozinha, respirando fundo, tentando organizar tudo que ainda gira dentro de mim. É muita coisa ao mesmo tempo, muita emoção misturada com preocupação e mesmo assim eu me sinto estranhamente em paz.

Ou quase.

Eu sinto ele antes mesmo de ouvir os passos.

Cássio para atrás de mim, as mãos envolvendo minha cintura, e eu fecho os olhos por um segundo, me permitindo simplesmente sentir. O calor dele. O cheiro. A presença que sempre me ancora, mesmo quando tudo parece fora do lugar.

"Agora sim eu tenho você só pra mim", ele murmura perto do meu ouvido.

Um sorriso escapa antes que eu consiga segurar.

"Você me teve o dia inteiro", respondo baixo, virando um pouco o rosto.

"Não desse jeito." Ele encosta o rosto no meu pescoço, respirando fundo, como se também precisasse disso tanto quanto eu.

Eu me viro devagar dentro do abraço dele, ficando de frente, e só então percebo melhor o olhar dele. Tem algo ali que ele tentou esconder mais cedo, e que agora aparece de mansinho nas dobras do cansaço.

"Está pronto para falar?" digo, levando a mão até o rosto dele. "O que aconteceu?"

Ele hesita, mas comigo ele nunca sustenta silêncio por muito tempo.

"Tem um carro rondando a casa", admite, a voz mais baixa. "A segurança já está atrás. Mas eu não gosto disso."

Meu corpo enrijece na mesma hora.

"Jonathan?"

"É o mais provável."

Eu engulo seco, mas não deixo o medo crescer, não agora, não com ele assim na minha frente. Em vez disso, eu penso. Puxo memórias que gostaria de nunca ter guardado.

"Ele sempre repete um padrão", digo de repente, e Cássio me encara com atenção redobrada. "Jonathan nunca faz nada aleatório. Ele observa, testa, e quando acha que ninguém percebe, ele repete o mesmo caminho, o mesmo horário. Ele gosta de controle."

Cássio fica em silêncio, absorvendo cada palavra. Eu vejo o exato momento em que algo se encaixa.

"Isso pode nos ajudar", ele diz, mais focado. "Ajudar muito, na verdade."

Sorrio de leve, mesmo com tudo, e ele me puxa mais para perto, como se aquela pequena vitória já fosse o suficiente pra aliviar parte do peso entre a gente.

"Você é incrível", ele murmura.

E antes que eu responda, os lábios dele encontram os meus.

O beijo começa devagar, quase como um agradecimento, mas cresce depressa, carregado de tudo que a gente vem segurando nos últimos dias. Minhas mãos sobem para o pescoço dele, puxando mais perto, enquanto as dele descem pela minha cintura com firmeza, me prendendo ali.

Quando ele se afasta, a respiração de nós dois está mais pesada. Mas o olhar dele está diferente. Mais fundo. Mais entregue.

Ele desce os lábios pelo meu rosto, pela minha mandíbula, até parar na altura da minha barriga. Então se ajoelha devagar, sem nenhuma pressa, como se aquele momento merecesse ser inteiro.

231. Nosso momento 1

231. Nosso momento 2

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