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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 230

Cássio

O telefone vibra no meu bolso antes mesmo de eu terminar o que estou fazendo, e só pelo nome na tela eu já sei que não é coisa boa. Eu atendo na hora, sem rodeios, e a voz do chefe de segurança vem direta, sem espaço para interpretação.

"Tem um carro rondando a casa desde cedo", ele diz. "Já passou várias vezes pela rua principal e pela lateral. A gente acha que pode ser o Krieger."

Meu maxilar trava na mesma hora.

"Jonathan?"

"É o mais provável."

Eu passo a mão pelo rosto, respirando fundo, tentando manter a cabeça fria, mas a irritação já está ali, subindo lenta e perigosa. Ele não cansa. Ele não desiste. E isso só torna tudo mais imprevisível.

Quando esse maldito vai deixar minha mulher em paz?

"Pegue todas as informações", digo firme. "Placa, imagens, trajeto, quem está dirigindo, de onde veio e para onde vai. E não deixa esse carro se aproximar da casa. Nem por um segundo. Peça um bloqueio nas ruas. Só deixe que os moradores passem, qualquer outro carro, apenas com autorização."

"Já estamos solicitando."

"Já deveria ter solicitado antes de conversarmos", corto, mais duro agora. "Eu quero que vocês antecipem qualquer movimento. Ele não pode chegar a nenhum milímetro perto da minha casa, e da minha mulher."

"Claro, senhor, faremos isso agora mesmo."

Desligo, irritado com a situação.

Fico alguns segundos parado, olhando para o nada, sentindo o peso da situação se reorganizar dentro de mim, porque não posso entrar naquela casa carregando isso. Não com a Aelyn ali. Não com a Branca. Não com a minha filha crescendo dentro dela.

Eu respiro fundo mais uma vez e sigo para a cozinha.

O cheiro da comida me atinge antes mesmo de eu cruzar a porta, e quando entro, a cena me desacelera por um segundo. Branca está sentada com a Aelyn ao lado, enquanto Vânia observa as duas, mais leve do que eu a vi nos últimos dias. Tamara deixou algo preparado, e as três estão ali, simplesmente vivendo.

Como se o mundo lá fora não estivesse prestes a explodir. Como se estivesse tudo em ordem.

E por um segundo… eu queria acreditar nisso.

Branca me vê primeiro.

Ela se levanta quase imediatamente e caminha até mim, os olhos atentos, lendo cada detalhe meu como sempre faz. "O que foi?", pergunta, parando na minha frente. "Você parece tenso."

Eu nego de leve, tentando suavizar. "Não é nada… eu só…" passo a mão pela nuca, buscando um tom mais leve. "Queria ver vocês."

Ela estreita os olhos na mesma hora.

"Você nunca ‘só quer ver’", ela diz, direta. "O que é? Aconteceu alguma coisa com o André?"

"Não", respondo rápido. "Ele está bem. Eles estão esperando a guarda provisória, e assim que sair eles vêm pra cá. Até a gente resolver a questão com o Jonathan."

Ela respira um pouco melhor, mas não relaxa completamente.

"Você está preocupado com o Jonathan", ela afirma, e eu não nego.

"Depois que o plano da Ana deu errado, ele ficou ainda mais instável", digo mais baixo. "E agora está escondido. Isso piora tudo. Porque a gente não sabe de onde ele vai aparecer."

Ela me observa por um segundo, absorvendo aquilo, e eu não espero mais, só puxo ela para um abraço, apertando mais do que deveria.

"Vai ficar tudo bem", digo contra o cabelo dela. "Assim que a gente pegar ele, isso acaba."

230. Precisamos de um plano novo 1

230. Precisamos de um plano novo 2

230. Precisamos de um plano novo 3

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