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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 23

Cássio Ravelli

Eu fui direto para o escritório de André Bayron.

Não houve ligação. Não houve explicação. Apenas uma mensagem curta demais para o peso que carregava:

“Preciso que venha aqui. O mais rápido possível.”

Conhecia Bayron bem o suficiente para saber que, quando ele não falava por telefone, era porque as palavras não podiam ser ouvidas por qualquer pessoa, e não precisavam deixar rastros.

A recepcionista mal levantou a cabeça quando cheguei.

“O doutor Bayron está esperando. Pode entrar.”

Ele estava enterrado em papéis, a gravata frouxa, a manga da camisa dobrada, o escritório com aquele caos organizado típico de quem só dorme quando o corpo desiste.

“Você está atrasado”, disse, sem erguer os olhos.

Sorri de lado.

“Eu nunca me atraso.”

Foi então que ele levantou o rosto.

“Hoje, está.” Fez uma pausa. “Vinte minutos.”

Me sentei à frente dele, soltando os botões do blazer com calma estudada.

“Tive problemas em casa.”

Bayron arqueou a sobrancelha.

“Aelyn está bem?”

“Está.” Apoiei os cotovelos nos braços da cadeira. “O problema é a governanta e a babá nova. Duas mulheres fortes tentando sobreviver na mesma cozinha.” Fiz um meio sorriso. “Curiosamente… não está sendo tão desconfortável quanto antes.”

Ele me analisou por um segundo a mais do que o normal.

Levantou-se sem dizer nada, caminhou até o pequeno bar do escritório e serviu duas doses generosas de uísque.

Colocou um copo à minha frente.

“Acho melhor beber isso.”

Endireitei o corpo na cadeira.

“O que pode ser tão ruim assim?” Peguei o copo, mas não bebi. “Já te disse. Eu não fiz nada. Não comprei coração nenhum. Quem inventou isso é um lunático.”

Bayron voltou para a cadeira, agora sério demais para rodeios.

“Você me pediu para investigar a Branca Oliveira, certo?”

Assenti.

“Minha babá, sim. Mas ontem eu conversei com ela, acho que nem precisa mais...”

“Pois é. Agora precisamos sim.” Ele cruzou os dedos sobre a mesa. “Ela também aparece citada no processo.”

O copo parou no meio do caminho.

“Como é que é? ”

“Ela aparece ligada ao caso.” Respirou fundo. “Não como ré principal. Mas como peça-chave.”

Meu estômago se contraiu.

“Por quê? Que merda é essa, André?”

Bayron sustentou meu olhar.

23. O coração é dele 1

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