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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 24

Cássio Ravelli

"Que porra de brecha é essa?"

Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, ecoando pelo escritório de Bayron. Caminhei de um lado para o outro, incapaz de ficar parado.

"Me acusar de assassino? De comprador de órgãos?" balancei a cabeça, incrédulo. "Eu nem sabia que a Branca tinha um filho até ontem. Ontem, porra."

Bayron me observava em silêncio, os olhos atentos demais para quem estava prestes a dizer algo que eu não queria ouvir.

"O melhor agora", ele começou, medindo as palavras, "é você afastá-la."

Parei.

"O quê?"

"Mande a Branca embora", disse com calma. "Arranje outra babá. Afaste qualquer vínculo. Depois a gente conversa com ela sobre isso com a cabeça fria. Mas agora você precisa tirar essa mulher da sua vida."

Soltei uma risada curta, amarga.

"Não posso."

Ele franziu a testa.

"Como assim não pode, Cássio? Você pagou duzentos mil dólares. Isso já é um problema gigantesco por si só."

Piscar foi involuntário. Lento.

"Eu não paguei duzentos mil dólares pra ela."

O silêncio caiu pesado.

"Como não? E pra quem foi esse dinheiro?" Bayron perguntou.

"Eu paguei pra Clara", expliquei, sentindo o maxilar travar. "A mulher do meu ex-funcionário. Ela me fez um favor. Eu quitei a dívida da casa dela. Era isso. Só isso."

Bayron se recostou na cadeira devagar, como se tivesse acabado de ouvir algo profundamente decepcionante.

"Onde está o meu amigo Cássio Ravelli?", perguntou. "Porque você não é burro. E isso aqui...", ele gesticulou no ar, "...isso aqui é coisa de amador."

Soquei a mesa.

"Para de rodeio e fala logo, André."

Ele cruzou as mãos sobre a mesa.

"O dinheiro não foi pra nenhuma Clara."

Meu estômago afundou.

"Ele foi transferido para a Suíça", continuou. "Para um paraíso fiscal. Ainda não conseguimos identificar o titular da conta, mas o rastro é claro."

O sangue subiu quente demais.

"Eu vou matar aquela desgraçada."

"Cássio." Bayron levantou a voz pela primeira vez. "Senta. Vamos conversar direito."

Passei a mão pelos cabelos, andando mais uma vez.

"Você está assustado, eu sei. Está tudo confuso, tenso..."

"Eu não estou assustado!", gritei. "Eu estou furioso! Como essa merda chegou nesse ponto?"

Respirei fundo, tentando organizar o caos.

24. Fui enganado 1

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