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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 213

André

O “sim” da Laís não é apenas uma resposta.

É uma escolha.

E eu sinto isso atravessar tudo em mim, quebrando a raiva, atravessando a dor, encontrando um lugar que eu não sabia que ainda estava inteiro. Eu puxo ela para perto sem pensar, envolvendo o corpo dela com cuidado, mas com força o suficiente para me ancorar ali, naquele momento, naquela decisão.

"Obrigado", eu sussurro, mais para mim do que para ela.

Mas não dura. Nunca dura.

"Você não pode estar falando sério."

A voz da Emily corta o momento como uma lâmina, carregada de incredulidade e algo muito mais feio por baixo. Eu me afasto o suficiente para olhar para ela, e o que vejo agora não tem mais tentativa de controle.

Tem desespero.

"Você não vai encontrar essa criança", ela continua, a voz subindo. "Você não faz ideia de onde ele está."

Ela dá um passo à frente, os olhos fixos na foto ainda na minha mão.

"E isso... isso não é seu."

Ela tenta avançar, a mão vindo rápida demais, mas eu seguro o pulso dela antes que toque no papel. Meu ombro lateja no mesmo instante, mas a ódio e a raiva dentro de mim são muito mais fortes.

"Nem pensa."

Minha voz sai baixa.

"Isso aqui é a única coisa que você não vai tirar de mim."

Ela tenta puxar o braço, mas eu não solto de imediato. Só quando tenho certeza de que ela entendeu.

"E você acha que pode chegar aqui, depois de tudo, e decidir o que eu posso ou não ter?", ela dispara, a respiração acelerada. "Você não estava lá. Você não quis estar lá."

Eu solto uma risada seca, incrédula.

"Eu não quis?"

Dou um passo à frente.

"Você nunca me deu a opção." A tensão cresce rápido, pesada, sufocante, e eu já não estou mais segurando nada. "Você decidiu sozinha. Como sempre."

"Porque você não ia querer!", ela rebate, quase gritando agora. "Você sempre deixou claro que sua carreira vinha primeiro!"

"Não fala do que você não entende!", eu corto, a voz explodindo de vez. "Você nunca entendeu nada além de você mesma!"

O som de passos no corredor chama atenção, e, segundos depois, Vânia e Branca aparecem na entrada da sala, os rostos carregados de preocupação.

"O que está acontecendo aqui?", Branca pergunta, o olhar indo direto para mim.

Mas eu não respondo.

Eu olho para Emily.

E aponto.

"Conta."

O silêncio pesa.

"Conta pra sua protetora o que você fez", continuo, sem tirar os olhos dela. "Quero ver se ela ainda vai te defender depois disso."

Vânia franze o cenho, confusa.

"Do que você está falando, André?"

Eu não desvio.

"Conta pra minha mãe", digo, cada palavra mais afiada que a anterior, "que você estava grávida de mim… e deu o meu filho pra adoção por puro capricho."

O impacto é imediato.

Os olhos de Branca se arregalam.

Os de Vânia… vão além.

"Isso… é verdade?"

A voz dela sai mais baixa do que o normal, carregada de algo que eu raramente vi ali.

Emily não responde de imediato. Ela hesita, e isso é o suficiente para destruir qualquer dúvida.

Vânia dá um passo à frente, segurando os braços dela com força, obrigando-a a encará-la.

"Fala pra mim se isso é verdade, menina. Fala que você não fez uma atrocidade dessas..."

O silêncio se estende por um segundo.

"Você deu… o meu neto… pra adoção?"

213. Minha vez 1

213. Minha vez 2

213. Minha vez 3

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