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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 212

Laís

Eu não sabia exatamente o que fazer. E isso não acontecia com frequência.

A sala parece menor do que realmente é, como se o ar tivesse diminuído, como se tudo estivesse mais pesado desde o momento em que aquela mulher abriu a boca e destruiu alguma coisa dentro do André. Eu ainda sinto o corpo dele apoiado no meu, mesmo agora que ele está de pé, mesmo tentando se manter firme, como se qualquer segundo de descuido fosse suficiente para ele desmoronar.

Mas ele não desmorona. E talvez isso seja o que mais me preocupa.

Cássio assume o controle sem precisar dizer muito. Eu vejo no olhar dele o mesmo alerta que sinto no meu corpo inteiro, e quando ele se vira na minha direção, já sei o que vem.

"Preciso que você anote tudo", ele diz, firme. "E liga o gravador. A qualquer sinal de que ela está escondendo algo, você pode me interromper."

Eu apenas assinto.

Não tem espaço para dúvida.

Pego o celular com mãos que eu gostaria que estivessem mais firmes do que estão, abro o aplicativo, ativo a gravação e deixo visível sobre a mesa. Em seguida, puxo um bloco e começo a organizar a caneta entre os dedos, tentando transformar aquilo em procedimento, em algo técnico, controlável.

Mas não é. Porque, mesmo tentando focar, meus olhos voltam para ele.

André está diferente. Não só abatido. Está distante.

Como se uma parte dele tivesse sido arrancada ali mesmo, na nossa frente, e o que restou ainda estivesse tentando entender o tamanho do vazio. O olhar dele não está em ninguém específico, não está em mim, não está nela… está em algum lugar que eu não alcanço.

E isso parte meu coração.

"Pode começar", Cássio diz, seco.

Emily respira fundo, ajeitando o corpo na cadeira, tentando recuperar algum tipo de controle, mas a maquiagem borrada e o olhar instável entregam muito mais do que ela gostaria.

"Eu vou começar pelo Jonathan", ela diz, tentando manter a voz firme. "Ele está completamente fora de controle. Ele não quer mais negociar nada… ele quer a Branca."

Minha mão começa a se mover automaticamente sobre o papel, anotando cada palavra, cada detalhe, enquanto o gravador registra tudo.

"Ele já tentou organizar uma nova forma de chegar até ela", continua. "Está buscando rotas de saída do país, contatos… ele quer levar ela com ele, de qualquer jeito."

Eu bufo baixo, sem conseguir evitar.

"Claro que quer."

Ela me olha de lado, incomodada.

"Se você vai ficar interrompendo..."

"Se você vai continuar falando merda, eu interrompo, sim", corto, sem olhar diretamente para ela. "Foca no que interessa. O que você falou até agora a gente já sabia, seja útil de verdade."

Cássio não interfere.

E isso já diz tudo.

Emily aperta os lábios, visivelmente irritada, mas continua.

"Ele está paranoico. Não confia mais em ninguém… nem em mim."

"Que novidade", solto, seca, enquanto continuo escrevendo.

Ela ignora.

"Eu pedi ajuda para a Ana", acrescenta, olhando para Cássio dessa vez. "Mas ela negou. Disse que vai interná-lo. Parece certo, mas..."

Cássio cruza os braços.

"Você não acredita nisso, acredita?"

Ela hesita.

"Não."

Claro que não. Ninguém aqui acredita nisso. Todos sabem que eles não manchariam o nome da família com isso.

Mas, no fundo, nada disso está sendo suficiente para tirar minha atenção do André.

Porque eu sei. Sei que naquele momento ele não está pensando em Jonathan, ou em nada do que ela está falando. A atenção dele só vai voltar quando ela começar a falar do bebê.

"É tudo o que tem sobre o Jonathan."

"Acha pouco?" ela retruca e eu bufo.

"Pelo visto, você também não sabia de muita coisa."

"Eu falei tudo que eu sabia. Agora cumpram a parte de vocês." olho para Cássio que está se segurando.

"E sobre a criança? Esqueceu que o nosso acordo contempla isso também?"

A voz do Cássio corta o ambiente, direta.

Minha mão trava por um segundo sobre o papel.

E, dessa vez, eu olho para ela.

De verdade.

Emily engole seco.

"Não esqueci, mas queria que você tivesse. Bom, vamos lá... É um menino."

O mundo parece diminuir mais um pouco.

"Data de nascimento", Cássio continua.

Ela responde e eu anoto, Cássio questiona mais algumas coisas e eu vou anotando, sentindo minha mão tremer a cada detalhe novo.

Mesmo que minha mente esteja tentando acompanhar o impacto daquilo ao mesmo tempo.

"Hospital?"

212. Informações 1

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