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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 191

André

Assim que pego o celular e disco o número da Laís, ela atende no segundo toque.

A voz dela vem baixa, rápida, daquele jeito profissional que sempre usa quando está no escritório, mas ainda assim consigo ouvir o barulho abafado ao fundo, o vai e vem de passos, telefones tocando, portas abrindo e fechando.

"Cássio?" ela questiona e então percebo que realmente usei o telefone dele para ligar para ela.

"Não, amor, sou eu."

"Algum problema com o seu celular?" E eu dou risada me afastando um pouco, e nego.

"O Cássio me pediu para ligar para você e me deu o celular dele. Sei lá, nem pensei, só liguei." ela ri do outro lado da linha. "A gente precisa de você aqui. Na verdade, a Branca precisa."

"Agora? André, eu estou prestes a entrar em uma reunião com um cliente", ela diz, sem rodeios. "Mas assim que puder, eu vou pra aí. Fala pra ela ficar tranquila."

Eu aperto mais o celular contra o ouvido, já me levantando da cadeira sem perceber.

"Cliente? Que cliente Nossas agendas estavam livres hoje."

Há uma pausa curta do outro lado.

"Não sei ainda." Ouço o som dela digitando alguma coisa. "A recepcionista ligou dizendo que marcaram diretamente comigo. Parece que insistiram, então ela só encaixou na agenda. Ainda não vi o nome."

Aquilo me incomodou na mesma hora. Não que fosse uma surpresa, mas algo em meu instinto me dizia que tinha algo errado. E eu aprendi, ao longo da vida, que às vezes o instinto é a única coisa que chega antes da tragédia.

"Você não sabe quem é?"

"Não." Ela ri de leve. "Calma. Não precisa fazer essa voz de delegado de filme. Deve ser só algum cliente novo e apressado. Vou entender o caso e ver se posso assumir, depois vou direto para a casa da Branca. Tudo bem?"

Talvez. Talvez eu estivesse exagerando. Talvez fosse só o efeito das últimas horas, de tudo o que aconteceu com a Branca, com a nossa mãe, com Jonathan solto, com os Krieger perto demais.

Mas talvez não.

E eu não estou disposto a pagar para ver.

"Tá", digo, já caminhando até a porta do escritório. "Me manda mensagem quando acabar."

"Tá bom."

Desligo e me viro para o Cássio.

"Vou buscar a Laís. Já volto."

Ele ergue os olhos na mesma hora, me observando por um segundo. Não preciso explicar. Depois de tudo o que aconteceu, ele entende exatamente o que eu não disse.

"Vai."

Assinto, deixando o celular dele na mesa, e caminho em direção ao meu carro em modo automático.

O trajeto até o escritório não é longo. Nunca foi, mas hoje parece interminável.

O trânsito está infernal, fechado, irritante, como se a cidade inteira tivesse decidido andar em câmera lenta só para me obrigar a conviver com essa sensação ruim mais um pouco. Meus dedos batem no volante, meu maxilar está travado, meus olhos alternam entre o semáforo, o relógio no painel e a fila de carros que simplesmente não anda.

É ridículo.

Eu sei que pode não ser nada. Sei que existe uma chance enorme de eu estar correndo atrás de uma paranoia qualquer, mas eu também sei que Jonathan está solto. Emily está nos rondando.

Quando finalmente chego ao prédio, estaciono da forma mais rápida que consigo e entro sem nem notar direito quem cumprimenta ou quem me olha. Sigo direto para a recepção.

"A Laís já entrou com o cliente?" pergunto, sem esconder a urgência.

A recepcionista ergue os olhos para mim, um pouco surpresa.

"Ainda não. O cliente não chegou, mas a doutora Laís já está na sala de reunião."

Eu solto o ar num quase alívio.

"Obrigada."

Sigo pelo corredor com passos apressados demais para alguém que está tentando fingir normalidade. Quando paro diante da porta da sala, não bato. Apenas abro.

Laís está sentada à mesa, de frente para o notebook, analisando algum documento na tela. Quando me vê, ergue as sobrancelhas na mesma hora.

"O que você está fazendo aqui?"

A pergunta vem acompanhada de um sorriso divertido, meio desconfiado, e isso já é suficiente para aliviar um pouco a pressão no meu peito.

Eu entro e fecho a porta atrás de mim.

"Sei lá." Puxo a cadeira ao lado dela. "Achei que você podia querer companhia."

Ela me observa por um segundo antes de rir.

"Acho que tem mais coisa aí, senhor Bayron."

191. Meu instinto 1

191. Meu instinto 2

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