Jonathan
Assim que o carro do meu avô se estaciona na frente da mansão, eu desço correndo. Eu preciso olhar na cara daquela filha da puta e destruí-la.
Ela me humilhou, me colocou atrás das grades, me fez de chacota no meu meio social.
Ah mas isso ia ter volta. Ah se ia...
Quando o motorista abre a porta o primeiro a sair é meu avô, e vejo por sua expressão que ele nãoe stá satisfeito.
Depois Ana, minha irmã, desce, e sustenta meu olhar por um segundo.
Nunca nos demos bem, mas assim como eu, ela quer uma fatia da herança e faz tudo que o velho manda.
Espero mais algum tempo, e nada. Branca não desce. Meu peito aperta de um jeito estranho, uma fúria querendo tomar conta de mim.
"Cadê ela?" Sigo descendo os lances de escada, enquanto meu avô se apoia em Ana.
Nenhum dos dois responde de imediato. E isso só piora tudo.
"Eu perguntei..."
"Você é um idiota." A voz do meu avô me corta no meio da frase. "Um irresponsável." Ele nem olha pra mim. "Como você conseguiu perder uma mulher como ela?" Meu maxilar trava. "Ela era submissa. Fazia tudo o que você queria." Agora ele me encara. "Mas não. Você teve que bater no menino."
O ar some dos meus pulmões.
"Vovô, ela não é tão boba como você pensa... eu fiz isso porque..."
"Você destruiu tudo." Eu sinto a raiva subir, queimando. "Você deu um tiro no pé, mas ele acertou bem o meio da sua cabeça, seu idiota. Como pode ser meu neto?"
Minha voz sai firme.
"Você falou da herança. Falou exatamente o que combinamos?" Me inclino levemente. "Falou que ia cortar ela."
Ele começa a rir. Uma risada baixa. Desdenhosa.
"Jonathan…" Ele balança a cabeça. "Você é muito burro." Meu sangue ferve. "Você acha mesmo que dinheiro segura uma mulher? Eu falei isso, e sabe o que ela fez? Riu..."
Ele aponta para além dos muros da nossa mansão.
"Olha onde ela está." Minha respiração fica pesada. "Olha com quem ela está." Eu tento racionalizar tudo, mas é impossível. "E agora eu entendi. Ela não vai sair de lá."
Minha mão fecha em punho.
"O que o senhor quer dizer com isso?"
"André sempre a protegeu...mas o noivo…" Ele sorri de lado. "Aquele homem a protege de verdade." Algo dentro de mim se parte. Eu soco a mesa com força.
"Ela não tem noivo!" Minha voz explode. "Ela é minha." O silêncio que vem depois é pesado. "Ela não vai ficar com mais ninguém, além de mim."
"Ela já está com outra pessoa." Cada palavra entra como uma faca. "E ele defende ela de um jeito que você nunca fez." Minha respiração falha por um segundo. "Não adianta gritar agora." Você acabou de perder o nosso trunfo. E a sua herança."
Meu olhar dispara pra ele.
"O quê?"
"Agora tudo vai para a Ana." Ele diz como se fosse óbvio. "Porque ela faz o que eu peço." Meu estômago revira. "Eu só te dei uma responsabilidade." A voz dele endurece. "Cuidar da Branca e me dar um bisneto."
"Eu fiz isso..." Tento consertar o que não tinha mais conserto.
"O herdeiro morreu. E você perdeu a mulher. Acabou. Sua missão foi encerrada hoje. Você não serve mais pra nada."
Eu fico parado. Sem reagir. Sem conseguir respirar direito.
"Vamos, Ana." Ele chama, já entrando na residência. "Preciso rever meu testamento. Você será minha única herdeira." Ela me olha por sobre os olhos e sorri triunfante, e me seguro para não matá-la ali mesmo.
A porta b**e.
O silêncio explode. E então… Eu perco o controle.


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