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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 177

André

Quando chego ao apartamento da Laís, sinto como se o peso do dia inteiro ainda estivesse grudado em mim.

Tem dias em que o cansaço é só físico. Um banho resolve, algumas horas de sono ajudam, e no dia seguinte a gente encontra um jeito de seguir. Mas hoje não. Hoje o cansaço está na cabeça, nos ombros, no peito. Está naquela sensação sufocante de que, toda vez que conseguimos apagar um incêndio, alguém acende outro maior logo em seguida.

Assim que entro, encontro Laís me esperando na sala. Ela se levanta na mesma hora e vem na minha direção com a preocupação estampada no rosto, como se tivesse passado todo esse tempo contando os minutos até eu aparecer.

"E aí? O que aconteceu?"

Eu solto o ar devagar, tentando organizar minimamente tudo dentro de mim.

"Foi o que a gente esperava." Passo a mão pelo rosto, exasperado, ainda irritado só de lembrar. "Eles querem que a Branca reate com o Jonathan. Dizem que é pelo bem da família."

Laís bufa de um jeito indignado, cruzando os braços.

"Que porra de bem da família o quê?" Ela balança a cabeça, incrédula. "Que merda aquelas pessoas têm na cabeça? Não é possível. Eu não acredito que eles foram atrás de vocês para falar isso. Sério, essa gente é doente."

Eu ando até o sofá e me sento, sentindo o corpo finalmente ceder um pouco ao peso que venho carregando desde que saí da mansão. "Nem eu, nem o Cássio, vamos deixar isso acontecer. De um jeito ou de outro, eles vão ter que se afastar. Deixamos isso bem claro para eles, mas ... eu os conheço. Não é tão fácil assim."

Laís me observa por um instante e sua expressão muda. A indignação continua ali, mas agora vem acompanhada daquela calma firme que só ela tem quando percebe que estou no meu limite. Ela se senta ao meu lado e pega a xícara de chá que deixou pronta antes da minha chegada, colocando-a nas minhas mãos com um cuidado que me desmonta mais do que deveria.

"Nós vamos dar um jeito, você vai ver." A voz dela sai segura, como se estivesse me entregando mais do que uma bebida quente. "O Cássio vai aumentar a segurança, eu vou procurar uma brecha pra prender aquele desgraçado de novo e vou tentar acelerar o processo. A gente vai fazer ele pagar."

Eu olho para ela e, apesar de tudo, acabo sorrindo.

Porque Laís está ali. Inteira. Firme. Ativa. Não recuando um centímetro.

"Obrigado."

Ela ergue uma sobrancelha, como se o agradecimento não fosse necessário.

"Você está sendo uma amiga incrível pra minha irmã." Dou um gole no chá, sentindo o calor descer pela garganta. "E eu preciso admitir uma coisa…"

"Hum?"

"Eu te julguei mal no começo."

Ela sorri de lado, divertida.

"Você achou que eu era só um rostinho bonito?"

Eu solto uma risada baixa pela primeira vez em horas.

"Não. Eu achei que você era gostosa mesmo."

Ela arregala os olhos, fingindo ofensa, e eu continuo antes que ela me interrompa:

"Mas extremamente indelicada e boca dura."

Ela ri.

"Mas isso eu ainda sou."

177. Minha essência 1

177. Minha essência 2

177. Minha essência 3

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